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Aula 06: O Citoesqueleto - Estrutura, Funções e Sua Dinâmica na Célula


Resumo da Aula

  • A aula abordou o conceito de m-fusona, um estágio intermediário na fusão de vesículas com membranas.
  • O foco principal foi o citoesqueleto, uma organela não membranosa composta por filamentos proteicos: actina (microfilamentos), microtúbulos e filamentos intermediários.
  • Foram detalhadas as funções gerais do citoesqueleto, como movimento, organização e estrutura celular, bem como as funções específicas de cada tipo de filamento.
  • A actina foi descrita em termos de sua estrutura, polimerização espontânea, localização cortical e papéis em movimentos celulares, microvilosidades, estereocílios e citocinese.
  • Os microtúbulos foram explicados quanto à sua estrutura oca, formação a partir do centrossomo, e funções no transporte intracelular (com cinesina e dineína), formação de cílios, flagelos e fusos mitóticos.
  • Os filamentos intermediários foram caracterizados pela sua resistência mecânica e presença na lâmina nuclear, em axônios e em anexos como pelos e unhas, sendo formados por proteínas como queratinas.
  • A organização do sarcômero na célula muscular estriada esquelética, envolvendo actina e miosina, foi apresentada como um exemplo de movimento celular.
  • Para finalizar, houve uma revisão sobre proteínas, suas conformações e o processo de desnaturação proteica e seus fatores, como temperatura e pH.

Introdução da Aula

  • Professora Mediadora: Ana Montemeso
  • Professora da Aula: Camila
  • Data: 27 de agosto de 2025
  • Hora: 20:10
  • Disciplina: Biologia e Bioquímica Humana
  • Número da Aula: Sexta aula ao vivo
  • Formato: Aula ao vivo, com discussão inicial e uma "surpresinha" no final
  • Recados Importantes: Lembrete sobre o prazo da Atividade Estudo 1, que encerra no domingo
  • Temas Abordados: Inicialmente, uma dúvida sobre a "m-fusona" e, em seguida, o citoesqueleto e movimentos celulares relacionados

Conceito de M-fusona

Nova Descoberta Celular (não tão nova)

  • É um nome dado a um processo celular já conhecido.
  • Relacionado às vias endocíticas, onde vesículas se fundem com outras organelas ou com a membrana plasmática.
  • Mecanismo de fusão de vesículas: envolve a eliminação de água ao redor das membranas.
  • Proteínas envolvidas:
    • VNner: na vesícula.
    • TNER: na membrana alvo.
    • Formam o complexo transsner que medeia a fusão.
  • A fusão ocorre gradativamente, primeiro uma camada da bicamada, depois a segunda.
  • M-fusona é o estágio intermediário onde a vesícula está se fundindo à membrana alvo.
  • O mecanismo de fusão de vesículas é complexo e depende de outras proteínas além das SNERs.

O Citoesqueleto

Definição e Composição

  • É uma organela não membranosa.
  • Formado por uma rede de filamentos proteicos.
  • Constituído por três tipos de filamentos:
    • Filamento de actina (ou microfilamento).
    • Microtúbulo.
    • Filamento intermediário.
  • Todos os filamentos são proteicos.

Funções Gerais do Citoesqueleto

  • Movimentar, organizar e estruturar a célula.
  • Confere a estrutura e o formato da célula.
  • Promove o movimento da célula para aquelas que o possuem.
  • Organiza internamente as organelas.
  • Dualidade de funções:
    • Dinâmica: confere capacidade de mudar de forma (ex: células em divisão, macrófagos para fagocitose).
    • Estática: confere estabilidade e mantém o formato e a estrutura celular (ex: estereocílios, microvilosidades, neurônios).

Tipos de Filamentos do Citoesqueleto

1. Filamento de Actina (Microfilamento)

  • Tamanho: Menor de todos, aproximadamente 7 nanômetros.
  • Estrutura:
    • Macromolécula formada por unidades menores chamadas actinas G (globulares, monoméricas).
    • As actinas G se unem para formar o filamento F (filamentoso).
    • O filamento se dobra em estrutura de alfa-hélice.
  • Nomenclatura: Actino filamento, actina G, actina F.
  • Localização Predominante: Regiões corticais, próximo à membrana plasmática.
    • Pode ser encontrado no citosol em células especiais, como na célula muscular esquelética.
  • Polimerização: Espontânea no citosol, actinas globulares se associam para formar o filamento.
  • Polaridade Estrutural: Possui extremidades "mais" e "menos".
    • Extremidade "mais": onde novas actinas são adicionadas para aumentar o filamento.
    • Extremidade "menos": onde actinas são liberadas para diminuir o filamento.
  • Funções Específicas:
    • Determina a superfície celular.
    • Participa da locomoção das células (ex: macrófagos).
    • Conduz a divisão celular, especificamente na citocinese, formando o anel contrátil.
    • Forma projeções da membrana como estereocílios (células do ouvido interno, equilíbrio) e microvilosidades (enterócitos, absorção).
    • Conferir resistência à bicamada lipídica.
    • Na célula muscular esquelética, forma o sarcômero (unidade contrátil), associando-se à miosina para promover a contração muscular.

2. Microtúbulo

  • Tamanho: O mais espesso dos três filamentos, aproximadamente 25 nanômetros.
  • Estrutura: Um tubo oco.
  • Composição: Proteína chamada tubulina.
    • Tubulina é um heterodímero (subunidades alfa e beta).
    • Forma 13 protofilamentos que constituem o tubo.
  • Formação: Não é espontânea.
    • Forma-se a partir de um centro formador de microtúbulos (MTOC), também chamado de centrossomo.
    • O centrossomo contém um par de centríolos.
    • O microtúbulo irradia do centrossomo para o citosol.
  • Polaridade Estrutural: Possui extremidade "mais" e "menos".
    • Extremidade "menos": sempre o centrossomo.
    • Extremidade "mais": onde tubulinas são adicionadas para crescimento.
  • Funções Específicas:
    • Posicionamento das organelas.
    • Transporte intracelular: utiliza proteínas motoras (cinesina e dineína) como "vias" para carregar organelas e vesículas.
      • Cinesina: transporte anterógrado (em direção à membrana plasmática).
      • Dineína: transporte retrógrado (em direção ao centrossomo).
    • Forma o fuso mitótico durante a divisão celular.
    • Forma estruturas como cílios (ex: trato respiratório) e flagelos (ex: espermatozoide).
    • É mais rígido e estável que a actina, mas não suporta força de tração (quebra por ser oco).

3. Filamento Intermediário

  • Tamanho: Intermediário (não é tão espesso quanto o microtúbulo, nem tão fino quanto a actina).
  • Estrutura: Semelhante a cabo, muito forte, aguenta muita tração.
    • Como um "cipó".
  • Localização: Encontrado no núcleo (formando a lâmina nuclear) e no citosol.
  • Composição: Formado por proteínas, com nomes específicos dependendo da célula.
    • Queratinas: nas células do tecido epitelial (pelos e unhas).
    • Vimentina: em outras células.
    • Neurofilamentos: nos neurônios (formando os axônios).
  • Polaridade: Não possui polaridade estrutural de extremidade "mais" e "menos".
  • Função Específica:
    • Conferir à célula e ao núcleo resistência mecânica.
    • Mantém a morfologia única do neurônio.
    • Reveste o núcleo formando a lâmina nuclear.
    • Forma apêndices como pelos e unhas.
    • Participa das junções celulares (ex: desmossomos, hemidesmossomos) como âncora intracelular para unir células ou células à matriz extracelular.

Citoesqueleto em Ação

Movimentação Celular

  • Exemplos:
    • Células em divisão (mudam de formato).
    • Macrófago (célula do sistema imunológico) se movimentando no tecido para fagocitar microrganismos.
    • A capacidade de se movimentar é conferida pelo citoesqueleto.

Estabilidade Celular

  • Exemplos:
    • Estereocílios (células do ouvido interno): projeções da membrana formadas por filamentos de actina, garantem equilíbrio.
    • Microvilosidades (enterócitos, células do intestino): projeções da membrana também formadas por actina, garantem absorção.
    • Neurônio: mantém seu formato diferente (axônios, dendritos).
    • O formato dessas células é crucial para suas funções, e o citoesqueleto garante essa estabilidade.

Organização do Sarcômero e Contração Muscular

  • Miofibrila: unidade presente na célula muscular esquelética.
  • Sarcômero: unidade contrátil dentro da miofibrila.
    • Composição: Actina, miosina e proteínas acessórias (troponina, nebulina, tropomiosina e titina).
  • Visão Histológica (Bandas e Zonas):
    • Banda I: Somente filamentos finos (actina).
    • Zona H: Somente miosina.
    • Banda A: Interação entre actina e miosina.
    • Disco Z: Demarca o início e o fim do sarcômero.
    • Linha M: Demarca o meio do sarcômero.
  • Contração Muscular:
    • A interação entre actina e miosina faz com que o sarcômero diminua de tamanho.
    • Linhas e espaços diminuem.
    • Processo custa muita energia (ATP) e depende de íons Cálcio.
  • Músculo Estriado: O nome se dá pelas estriações visíveis ao microscópio, que são a organização da actina e miosina no sarcômero.

"Surpresinha" (Revisão para Atividade de Estudo 1)

Proteínas

  • Definição: Polímeros de aminoácidos, macromoléculas formadas pela união de aminoácidos.
    • A união é uma ligação covalente forte, chamada ligação peptídica.
    • Cada proteína tem uma sequência e quantidade específica de aminoácidos.
  • Conformações/Estruturas:
    • Primária: Sequência linear de aminoácidos.
    • Secundária: Alterações químicas na estrutura tridimensional, formando alfa-hélice ou betas-folhas pregueadas.
    • Terciária: Agrupamento de estruturas secundárias, alcançando uma conformação tridimensional que torna a proteína ativa e funcional para a célula (conformação nativa).
    • Quaternária: Algumas proteínas precisam da união de subunidades para se tornarem funcionais (ex: hemoglobina, com quatro subunidades alfa e beta).
  • Síntese Proteica: Processo complexo, conhecido como dogma central da biologia celular.
    • Utiliza informações do DNA (no núcleo) para determinar a sequência de aminoácidos.
    • Processo de expressão gênica.
  • Desnaturação Proteica:
    • É a perda da conformação ativa (terciária ou quaternária) da proteína.
    • Resulta na perda da função da proteína.
    • Fatores Denaturantes:
      • Alteração de temperatura: Cada proteína tem sua temperatura ideal. Acima ou abaixo, perde a função.
      • Alteração de pH: Cada proteína tem seu pH ótimo. Ex: enzimas estomacais (pH ~2), enzimas celulares (pH 7).
      • Detergentes ou solventes orgânicos polares.
      • Radiação.
    • Enzimas: São uma classe de proteínas e, portanto, tudo o que se aplica à desnaturação proteica também se aplica às enzimas. Possuem pH e temperatura ótimos específicos.