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Livro Unidade 04 - Mecanismos de Transferência e Armazenamento de Energia Celular Através da Degradação de Carboidratos


Resumo Sucinto da Unidade 4

  • A unidade 4, "Disponibilização de Energia para a Célula - Degradação de Carboidratos", concentra-se nos mecanismos de transferência de energia dentro de sistemas biológicos.
  • Os carboidratos, lipídios e proteínas são as principais fontes de energia, com a glicose destacada como o monossacarídeo mais abundante e essencial, especialmente para células nervosas.
  • A degradação da glicose ocorre por duas vias: aeróbica (com oxigênio), que é mais complexa e ocorre nas mitocôndrias de células eucariontes, produzindo alta quantidade de ATP; e anaeróbica (sem oxigênio), mais primitiva, realizada no citoplasma, com menor rendimento de ATP.
  • A molécula de ATP (Adenosina Trifosfato) funciona como armazenador temporário de energia.
  • A estrutura da mitocôndria, com suas membranas distintas e matriz interna, é fundamental para o metabolismo aeróbico, onde estão localizadas enzimas para as etapas de oxidação.
  • As etapas da degradação aeróbica da glicose incluem: glicólise, formação de acetil CoA, ciclo do ácido cítrico (Ciclo de Krebs), cadeia transportadora de elétrons e fosforilação oxidativa.
  • A glicólise (no citoplasma) quebra a glicose em piruvato, com um saldo líquido de 2 ATPs e 2 NADH+H+.
  • O piruvato é convertido a Acetil CoA na matriz mitocondrial.
  • O Ciclo do Ácido Cítrico (na matriz mitocondrial) degrada Acetil CoA a CO2, gerando NADH+H+, FADH2 e GTP.
  • A cadeia transportadora de elétrons e a fosforilação oxidativa (na membrana interna mitocondrial) utilizam as coenzimas reduzidas (NADH+H+ e FADH2) para bombear prótons e sintetizar a maior parte do ATP, resultando em um saldo energético total de 38 ATPs por molécula de glicose.
  • A via anaeróbica, também conhecida como fermentação, reoxida NADH para sustentar a glicólise na ausência de oxigênio, sendo os exemplos mais comuns a fermentação láctica (produzindo lactato em células musculares sob esforço intenso) e a fermentação alcoólica (produzindo etanol em leveduras e bactérias).

Introdução da Unidade 4

  • Nome do Professor/Autor da Unidade: Dra. Marcia Cristina de Souza Lara Kamei.
  • Formato: Unidade 4 do livro "biologia_e_bioquimica_humana_livro.pdf".
  • Título do Livro: Biologia e Bioquímica Humana.
  • Instituição de Ensino: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância (Unicesumar).
  • Local de Publicação: Maringá-PR.
  • Dados de Publicação: 2019, reimpresso em 2025.
  • Tipo de Curso: Graduação - Híbridos.
  • Páginas no Livro Original: 129-156.
  • Assunto Central: Estudo dos mecanismos de transferência de energia entre os sistemas biológicos.
  • Objetivos de Aprendizagem (conforme listado em):
    • Reconhecer a estrutura morfológica e funcional das mitocôndrias.
    • Identificar a molécula de adenosina trifosfato como elemento de armazenamento de energia para atividade metabólica das células.
    • Diferenciar cada uma das etapas do processo de glicólise.
    • Diferenciar a via anaeróbica e aeróbica de degradação do piruvato, relacionar as condições fisiológicas para que cada via ocorra e identificar os tipos celulares que realizam cada uma das vias.
    • Identificar cada uma das etapas de formação de acetil CoA.
    • Descrever cada uma das etapas do ciclo do ácido cítrico.
    • Relacionar a cadeia transportadora de elétrons e a fosforilação oxidativa como consumo de oxigênio.
  • Público-alvo: Acadêmico(a).

Introdução ao Metabolismo Energético

  • Necessidade de Energia para a Vida:
    • Constante suprimento de energia para gerar e preservar a ordem biológica e manter as células vivas.
    • Energia provém da degradação de compostos orgânicos.
    • Organismos heterótrofos obtêm compostos orgânicos por meio da alimentação.
    • Organismos autótrofos produzem seus compostos orgânicos (ex: fotossíntese).
  • Fontes de Energia nos Alimentos:
    • Bioquimicamente denominados proteínas, carboidratos e lipídios.
    • Lipídios (gorduras): Mais energéticos.
    • Carboidratos: Mais utilizados para disponibilizar energia.
    • Proteínas: Podem ser usadas para energia, mas sua função estrutural é predominante.
  • Glicose como Elemento Central:
    • Monossacarídeo mais abundante no planeta.
    • Preferencialmente utilizado por todas as células (bactérias a células humanas).
    • Células nervosas: Utilizam exclusivamente glicose.
  • Vias de Degradação da Glicose:
    • Via Aeróbica:
      • Degradação completa da molécula.
      • Requer a presença de oxigênio.
      • Realizada por células eucariontes.
      • Ocorre no interior das organelas chamadas mitocôndrias.
      • Disponibiliza muito mais ATP que a via anaeróbica.
      • Ocorre em cinco etapas: glicólise, formação de acetil CoA, ciclo do ácido cítrico (Ciclo de Krebs), cadeia transportadora de elétrons e fosforilação oxidativa [293, Stryer et al., 2014].
    • Via Anaeróbica:
      • Degradação incompleta da molécula.
      • Não depende da presença de oxigênio.
      • Realizada no citoplasma de células procariontes e algumas eucariontes, incluindo algumas do organismo humano.
      • Transfere apenas 20% da energia contida na molécula para o ATP.
  • ATP (Adenosina Trifosfato):
    • Função: Armazenamento temporário de energia.
    • Estrutura: Nucleotídeo da adenosina com energia armazenada nas ligações dos grupamentos fosfatos [283, Figura 4, Junqueira et al., 2012].
    • Dinâmica: Existe uma dinâmica constante entre a síntese e a degradação do ATP nas células [283, Figura 5, Marzzoco e Torres, 2015].
    • Processo de Respiração Celular: Envolve reações de degradação de compostos orgânicos que geram ATP, utilizando as mitocôndrias e oxigênio.
    • Equação da Respiração Celular: C6H12O6 + O2 → 6CO2 + 6H2O + energia (armazenada na forma de ATP) [284, Figura 2].
  • Fotossíntese:
    • Processo em organismos autotróficos com clorofila (em cloroplastos nas células eucariontes).
    • Utiliza energia luminosa para transferir para ligações químicas, produzindo compostos orgânicos.
    • Equação: 6CO2 + 12H2O + LUZ → C6H12O6 + 6O2 + 6H2O.
    • Relação com a respiração celular: Balanço na biosfera; ambos geram energia química utilizável (ATP), cuja síntese é mediada por um gradiente de hidrogênio transmembrana [283, Figura 1, Santos, 2012; Figura 6, Cientic, ].
  • Impacto da Ingestão de Carboidratos:
    • A ingestão elevada de carboidratos pode levar ao aumento da glicemia.
    • Relacionada a doenças metabólicas como diabetes tipo II e obesidade.
    • Crítica ao estímulo de consumo de refeições ricas em carboidratos (ex: redes de fast food) associado a brindes que são ícones da indústria de entretenimento e desejados por crianças.

Estrutura das Mitocôndrias

  • Morfologia:
    • Exibem formas alongadas ou esféricas.
    • Tamanho: 0,2 a 1,0 µm de diâmetro e 2 a 8 µm de comprimento [286, Junqueira et al., 2012].
  • Quantidade e Distribuição:
    • Varia de acordo com a demanda energética da célula.
    • Pode se concentrar em regiões de maior demanda, como em células musculares (associadas a filamentos contráteis que requerem ATP) e em espermatozoides (na peça intermediária para ATP da cauda).
  • Visualização:
    • Microscopia óptica com uso do corante verde janus.
    • Detalhes estruturais observados apenas com microscópio eletrônico.
  • Componentes Estruturais (Organela com Duas Membranas) [288, Figura 7, Junqueira et al., 2012]:
    • Membrana Externa:
      • Contém enzimas de degradação de lipídios a ácidos graxos.
      • Permeável a moléculas de até 10.000 dáltons.
      • Apresenta a proteína porina, que forma canais transmembrânicos (semelhante às porinas de bactérias).
    • Membrana Interna:
      • Impermeável.
      • Invaginada, formando as cristas mitocondriais, que aumentam a superfície e a eficiência na produção de ATP.
      • Contém os componentes da cadeia de transporte de elétrons.
      • Contém enzimas que sintetizam ATP.
      • Transporte transmembrana de prótons.
      • Corpúsculos elementares: Parte da membrana interna, contêm complexo proteico com atividades de ATP-sintase.
    • Espaço Intermembranoso:
      • Localizado entre as duas membranas.
      • Contém várias enzimas.
      • Acumula prótons transportados da matriz.
    • Matriz Mitocondrial:
      • Circundada pela membrana interna.
      • Contém enzimas que metabolizam piruvato e ácido graxo, produzindo acetilcoenzima A.
      • Contém enzimas do ciclo do ácido cítrico.
      • Contém tRNA, mRNA e rRNA.
      • DNA mitocondrial: Uma ou mais cadeias duplas, circular, semelhante ao DNA encontrado em bactérias, contém escasso número de genes, codifica poucas proteínas mitocondriais; a maioria das proteínas é importada do citoplasma.
      • Ribossomos mitocondriais: Contêm RNA ribossômico, participam da síntese proteica.
  • Aproveitamento de Energia: Organela capaz de converter energia presente em ligações químicas covalentes (C-C) em energia elétrica, para novamente armazená-la em ligações químicas covalentes (ATP).
  • Convergência de Vias Metabólicas: Carboidratos, proteínas e lipídios são degradados e convertidos em Acetil-CoA antes de entrarem no Ciclo do Ácido Cítrico [291, 292, Figura 8, Marzzoco e Torres, 2015].

Metabolismo Energético

Glicólise

  • Definição: Degradação da molécula de glicose (C6H12O6) em duas moléculas de piruvato (ácido pirúvico), cada uma com três carbonos [294, Voet et al., 2014].
  • Local: Ocorre no citoplasma de todos os tipos celulares.
  • Natureza: Primeira etapa do processo de oxidação de glicose para obtenção de energia.
  • Etapas: Consiste em dez reações químicas, divididas em duas fases:
    • Fase Preparatória (ou de Investimento):
      • Reação 1: Fosforilação da glicose em glicose 6-fosfato. Consome 1 ATP (convertido em ADP). Impede que a glicose saia da célula (transporte de glicose por difusão facilitada depende da concentração).
      • Reação 2: Isomerização da glicose 6-fosfato em frutose 6-fosfato, realizada pela enzima isomerase.
      • Reação 3: Nova fosforilação, com doador de fosfato 1 ATP (convertido em ADP), formando frutose 1,6-bisfosfato.
      • Reação 4: Clivagem da frutose 1,6-bisfosfato, resultando em duas moléculas distintas: diidroxiacetona fosfato e gliceraldeído 3-fosfato.
      • Reação 5: Isomerização de diidroxiacetona fosfato em gliceraldeído 3-fosfato, resultando em duas moléculas de gliceraldeído 3-fosfato para cada molécula de glicose.
      • Saldo da Fase Preparatória: -2 ATPs [297, Figura 11].
    • Fase de Pagamento (ou de Rendimento):
      • Reação 6: Fosforilação do gliceraldeído 3-fosfato a partir de fosfato inorgânico, formando duas moléculas de 1,3-bisfosfoglicerato. Ocorre uma desidrogenação (retirada de hidrogênio) catalisada por uma desidrogenase, com a coenzima NAD+ sendo reduzida a NADH + H+ (dois elétrons e um próton permanecem na coenzima, outro próton é liberado no meio).
      • Reação 7: Deslocamento do grupo fosfato para o ADP, produzindo ATP, e a molécula passa a ser 3-fosfoglicerato.
      • Reação 8: Isomerização produzindo 2-fosfoglicerato (enzima fosfoglicerato mutase transfere o grupo fosfato do carbono 3 para o carbono 2).
      • Reação 9: Desidratação do 2-fosfoglicerato, originando fosfoenolpiruvato (uma molécula de H2O é retirada).
      • Reação 10: Transformação de fosfoenolpiruvato a piruvato, com consequente fosforilação de ADP em ATP.
  • Equação Geral da Glicólise: Oxidação da glicose a piruvato e produção de ATP diretamente associadas à redução de NAD+ a NADH+H+.
  • Reoxidação do NAD+: Essencial, pois a quantidade de NAD+ é limitada nas células. Existem duas vias: aeróbica (com oxigênio) e anaeróbica (sem oxigênio).
  • Saldo Final da Glicólise: Para cada molécula de glicose: 2 moléculas de piruvato, 4 ATPs produzidos (2 líquidos, devido ao gasto na fase preparatória) e 2 NADH+H+ [302, Figura 14].

Destino do Piruvato na Via Aeróbica

  • Local: Condições aeróbicas, na matriz mitocondrial.
  • Processo: Conversão de piruvato em Acetil Coenzima A (Acetil CoA).
    • Descarboxilação: Retirada de CO2 (eliminado da via metabólica).
    • Desidrogenação: Passagem dos elétrons e de um próton para o NAD+, formando NADH + H+.
    • Ligação à molécula de coenzima A (CoA), formando Acetil CoA.
  • Produção por molécula de glicose: Como cada glicose produz 2 piruvatos, resultam 2 moléculas de Acetil CoA e 2 NADH+H+.
  • Próximo Passo: As moléculas de Acetil CoA são encaminhadas para o Ciclo do Ácido Cítrico.
  • Esquema: Figura 15, Marzzoco e Torres (2015, p. 123).

Ciclo do Ácido Cítrico (Ciclo de Krebs)

  • Local: Ocorre na matriz mitocondrial.
  • Função: Integração da degradação de todos os compostos orgânicos (após conversão em Acetil CoA).
  • Reações: Oito reações sucessivas com várias descarboxilações e desidrogenações [305, Figura 17, Marzzoco e Torres, 2015].
  • Início do Ciclo:
    • Condensação de Acetil CoA com oxaloacetato (presente na matriz mitocondrial), formando citrato.
    • Citrato é isomerizado a isocitrato.
  • Etapas Principais e Produtos:
    • Isocitrato desidrogenado: Forma α-cetoglutarato. O hidrogênio é usado para reduzir NAD+ a NADH + H+.
    • α-cetoglutarato descarboxilado: Forma succinil-CoA. O CO2 é liberado.
    • Succinil CoA convertido a succinato: Ocorre adição de um radical fosfato a uma molécula de GDP (guanosina difosfato), formando GTP (guanosina trifosfato).
      • GTP: É um nucleotídeo trifosfatado de guanosina; em termos energéticos, armazena a mesma energia que a ligação do terceiro fosfato do ATP.
    • Succinato desidrogenado: O aceptor dos dois elétrons e dos prótons é o FAD, que é reduzido a FADH2.
    • Fumarato hidratado: Forma malato.
    • Malato desidrogenado: Forma oxaloacetato (NAD+ → NADH+H+), terminando o ciclo e regenerando o oxaloacetato.
  • Definição do Ciclo: Completa degradação de Acetil CoA a CO2.
  • Rendimento por molécula de Acetil CoA degradada: 3 NADH+H+, 1 FADH2, 1 GTP.
  • Rendimento por molécula de Glicose degradada (2 Acetil CoA): 6 NADH+H+, 2 FADH2, 2 GTPs.
  • Tabela de Saldo das Etapas de Degradação Aeróbica da Glicose (até o Ciclo do Ácido Cítrico) [309, Tabela 1]:
    • Glicólise: 2 NADH+H+, - FADH2, 4 (-2) ATPs
    • Formação de Acetil CoA: 2 NADH+H+, - FADH2, - GTPs/ATPs
    • Ciclo do Ácido Cítrico: 6 NADH+H+, 2 FADH2, 2 GTPs
    • Total: 10 NADH+H+, 2 FADH2, 4 ATPs (líquido)
  • Integração de Vias: Esquema da Figura 16, Marzzoco e Torres (2015, p. 112) resume a integração da degradação de diferentes moléculas orgânicas com o Ciclo do Ácido Cítrico.
  • Detalhe sobre a síntese de ácidos graxos: Ocorre no citosol, onde Acetil-CoA da mitocôndria é transportado na forma de citrato. A isocitrato desidrogenase é inibida. O citrato é clivado em oxaloacetato e acetil-CoA. Para mais informações, pode-se acessar http://bioquimicadanutricao.blogspot.com.br/2011/07/lipogenese-sintese-de-acidos-graxos.html [361, Reis, 2011].

Cadeia Transportadora de Elétrons e Fosforilação Oxidativa

  • Contexto: Grande quantidade de NADH+H+ e FADH2 (coenzimas reduzidas) formadas nas etapas anteriores, contendo a maior parte da energia da glicose.
  • Objetivos:
    • Liberar a energia armazenada nas coenzimas reduzidas.
    • Restituir as coenzimas oxidadas (NAD+ e FAD) para que possam participar da oxidação de outras moléculas de glicose (limitadas na célula).
  • Local: A oxidação das coenzimas ocorre na membrana interna da mitocôndria.
  • Componentes da Cadeia Transportadora de Elétrons:
    • A maioria dos componentes agrupa-se em quatro complexos proteicos (I, II, III e IV), que são proteínas transmembranas da membrana interna da mitocôndria, organizadas em ordem crescente de potenciais de redução [313, Figura 18, Marzzoco e Torres, 2015].
    • Dois componentes móveis:
      • Coenzima Q: Conecta os complexos I e II ao complexo III.
      • Citocromo c: Conecta o complexo III ao complexo IV.
  • Fluxo de Elétrons:
    • Do NADH+H+: NADH+H+ → Complexo I → coenzima Q → Complexo III → citocromo C → Complexo IV → Oxigênio (átomo).
    • Do FADH2: FADH2 → Complexo II → coenzima Q → Complexo III → citocromo C → Complexo IV → Oxigênio (átomo).
  • Bombeamento de Prótons (H+):
    • O movimento de elétrons gera uma força eletroquímica que promove o bombeamento de prótons da matriz mitocondrial para o espaço intermembranoso.
    • Ocorre nos complexos I, III e IV.
  • Teoria Quimiosmótica:
    • Teoria mais aceita para explicar o acoplamento do transporte de elétrons com a síntese de ATP [315, Figura 19, adaptada de Bios Jay Chemist, 2013].
    • A energia do transporte de elétrons é utilizada para bombear prótons por meio da membrana interna para o espaço intermembranoso, contra o gradiente.
    • Gera um gradiente de prótons (força próton-motriz), que é uma concentração diferente de prótons dentro e fora da matriz mitocondrial.
    • A face interna (matriz) da membrana interna fica mais negativa que a face externa (espaço intermembranoso), criando um gradiente elétrico.
    • O gradiente elétrico gera um potencial de membrana de 0,1 a 0,2 Volts.
    • A força próton-motriz é constituída por dois componentes: gradiente de pH (maior concentração de prótons no espaço intermembranoso) e gradiente elétrico (matriz negativa).
  • Síntese de ATP:
    • O retorno dos prótons ao interior da matriz é um processo espontâneo, a favor do gradiente eletroquímico, que libera energia para a síntese de ATP.
    • A membrana interna da mitocôndria é impermeável a prótons, exceto em sítios específicos formados pelo complexo sintetizador de ATP, a ATP-sintase. A passagem de prótons por este complexo enzimático leva à produção de ATP.
  • Rendimento Energético na Fosforilação Oxidativa:
    • Para cada NADH que se oxida (par de elétrons transportados pelos complexos I, III e IV): síntese de três moléculas de ATPs.
    • Para cada FADH2 que se oxida (Complexo I não é usado): síntese de apenas dois ATPs.
  • Equações de Produção de ATP:
    • NADH+H+ + ½ O2 + 3 ADP + 3 Pi + 3 H → NAD+ + 3 ATP + 4 H2O.
    • FADH2 + ½ O2 + 3 ADP + 3 Pi + 2 H → FAD + 2 ATP + 3 H2O.
  • Saldo Energético Total da Degradação Aeróbica da Glicose: A fosforilação oxidativa é a etapa final, e a degradação aeróbica de uma molécula de glicose tem um saldo energético de 38 moléculas de ATPs [318, 319, Tabela 2].
    • Na Tabela 2, Março (30) ATPs vêm dos 10 NADH+H+, 4 ATPs dos 2 FADH2, e 4 ATPs dos GTPs/ATPs líquidos anteriores.
  • Dissipação de Calor:
    • Parte da energia liberada pelo fluxo de prótons não é aproveitada para a produção de ATP, mas sim liberada na forma de calor, contribuindo para a manutenção da temperatura corporal.
    • Tecido adiposo marrom (ou pardo) em mamíferos (incluindo a espécie humana): Suas mitocôndrias não produzem ATP; toda a energia dos compostos orgânicos é liberada como calor.
      • Essas mitocôndrias não possuem o complexo enzimático ATP-sintase em sua membrana interna.
      • Os prótons impulsionados pelo transporte de elétrons retornam por uma proteína chamada termogenina, dissipando completamente a energia em calor.
      • Na espécie humana, esse tecido se forma no feto, mas não se renova após o nascimento, existindo por poucos anos após o nascimento, não sendo encontrado em adultos.
      • O composto orgânico envolvido nesse processo são as gorduras, e as proteínas são encontradas exclusivamente em mitocôndrias do tecido adiposo marrom.

Destino do Piruvato na Via Anaeróbica (Fermentação)

  • Definição: Em anaerobiose, o próprio piruvato produzido pela glicólise serve como aceptor de elétrons do NADH, assegurando a restituição do NAD+ para a continuidade da glicólise.
  • Processo Comum:
    • Primeira etapa: Glicose é transformada em piruvato, com produção de NADH+H+.
    • Segunda etapa: Conversão de NADH+H+ a NAD+.
    • As diferenças entre os tipos de fermentação estão na segunda etapa.
  • Tipos Mais Comuns:
    • Fermentação Láctica:
      • O piruvato recebe os elétrons do NADH, reduzindo-se a lactato [323, Figura 20, Marzzoco e Torres, 2015].
      • Utilizada por diversos microrganismos para produtos fermentados do leite (como iogurtes e queijos).
      • Na espécie humana, pode ser realizada por alguns tipos celulares, como hemácias e músculo estriado esquelético.
      • Células musculares estriadas esqueléticas: Quando em atividade metabólica intensa, o oxigênio fornecido pelo sangue pode ser insuficiente para a demanda de ATP.
      • Armazenam glicose na forma de glicogênio muscular, disponibilizando glicose além da circulação, compensando a insuficiência de O2.
      • A degradação anaeróbica do piruvato (fermentação láctica) garante a restituição do NAD+ para a continuidade da glicólise.
      • O ácido lático produzido é encaminhado ao fígado e transformado novamente em glicose.
    • Fermentação Alcoólica:
      • Ocorre em organismos como leveduras e algumas bactérias para regeneração do NAD+.
      • O piruvato é descarboxilado, originando acetaldeído.
      • O acetaldeído serve de aceptor de elétrons do NADH, reduzindo-se a etanol [325, 326, Figura 21, Marzzoco e Torres, 2015].
      • Usada, por exemplo, na produção de bebidas alcoólicas fermentadas.
  • Conclusão da Unidade:
    • Toda energia no planeta vem do sol e é incorporada pelos seres vivos através da fotossíntese.
    • A glicose é o principal combustível para as células, essencial para células nervosas.
    • A degradação aeróbica da glicose (glicólise, formação de acetil CoA, ciclo do ácido cítrico, cadeia transportadora de elétrons e fosforilação oxidativa) produz 38 ATPs e requer oxigênio, sendo as etapas posteriores à glicólise mitocondriais.
    • A degradação anaeróbica (fermentação láctica) é limitada a tipos celulares específicos em humanos, como células musculares estriadas esqueléticas, em condições de baixa oferta de oxigênio.