A aula discute as adaptações cardiovasculares crônicas resultantes do treinamento físico aeróbio, que utiliza predominantemente o sistema oxidativo.
O foco é entender como o corpo aumenta o consumo de oxigênio (VO2).
O VO2 é determinado pela Equação de Fick: VO2 = Débito Cardíaco x Diferença Artériovenosa de O2.
Ou seja, O é o resultado da "Entrega de Sangue Distribuído pelo Coração vezes a Eficiência com que o Músculo Consegue 'Pescar' o Oxigênio Desse Sangue."
As adaptações crônicas (estruturais/funcionais) incluem a diminuição da Frequência Cardíaca (FC) submáxima, o aumento do Volume Sistólico (VS) (gerando Hipertrofia Excêntrica) e o aumento da Diferença Artériovenosa de O2 (pela capilarização).
Essas mudanças tornam o sistema cardiovascular de um indivíduo treinado mais eficiente em transportar O2 e substratos energéticos.
Introdução e Contexto da Fonte
Nome do Evento/Curso: Projeto de ensino: Fisiologia do exercício.
Conteúdo: Aula 02 - PARTE_2_EGRAD_BEDU_202352_PROJETO_DE_ENSINO_-_ASPECTOS_FISIOLOGICOS_DO_EXERCICIO_FISICO.mp4 e aula02_slides.pdf [Título do vídeo e slide].
Professor/Palestrante Principal: Prof. Dr. Diogo Hilgemberg Figueiredo.
Professor(a) da Aula Anterior (mencionada): Professora Suelen.
Tópico da Aula Anterior: Bioenergética, ATP, sistemas ATP-CP, glicolítico (anaeróbico) e oxidativo (aeróbio).
Formato: Vídeo gravado e apresentação de slides, focado em adaptações crônicas.
Importância do Sistema Cardiovascular
Função principal: Transportar quantidades adequadas de O2 e eliminar CO2.
O2 é captado e transportado pelo sistema cardiovascular, estando o conteúdo arterial saturado de oxigênio.
O2 entra na Mitocôndria.
Ocorre a oxidação completa de Carboidratos e Lipídios (Gorduras).
Resultado: Produção de Energia (ATP) + CO2 + H2O.
O CO2 é transportado de volta pela corrente sanguínea e eliminado pela respiração (hematose).
Transporte de Lipídios (Fator importante):
Gordura intramuscular é limitada.
Gordura localizada nos adipócitos.
O corpo realiza a quebra de triglicerídeos em ácidos graxos e glicerol.
O ácido graxo é transportado pela corrente sanguínea até a mitocôndria no músculo.
Respostas do Corpo ao Exercício Aeróbio (Saída da Homeostase)
O corpo precisa de mais energia Consome mais O2 (consumo 15-25 vezes maior que no repouso).
Necessidade de aumentar o fluxo sanguíneo para a musculatura em exercício.
Processos necessários para o aumento do VO2:
Processo Central: Aumento do fluxo sanguíneo (Bomba cardíaca / Coração).
Processo Periférico: Aumento da captação de oxigênio pela musculatura.
Consumo de Oxigênio (VO2) e a Equação de Fick
O VO2 pode ser definido pela equação de Fick.
Equação: VO2 = Débito Cardíaco (DC) x Diferença Artério-venosa de O2 (Dif a-v O2).
Ou seja, O é o resultado da "Entrega de Sangue Distribuído pelo Coração vezes a Eficiência com que o Músculo Consegue 'Pescar' o Oxigênio Desse Sangue."
Desenvolvida por Adolf Eugen Fick (1829-1921).
Fatores Centrais (Débito Cardíaco - DC)
Definição: Quantidade de sangue ejetada pelo coração por minuto.
Fórmula: DC = Frequência Cardíaca (FC) x Volume Sistólico (VS).
Frequência Cardíaca (FC): Número de vezes que o coração bate por minuto.
Exemplo: 70-80 batimentos por minuto (bpm) em repouso.
Volume Sistólico (VS): Quantidade de sangue ejetada pelo coração a cada sístole (contração).
Sístole: Contração do coração.
Diástole: Relaxamento/enchimento do coração.
Fatores Periféricos (Diferença Artériovenosa de O2 - Dif a-v O2)
Fórmula Expandida: Dif a-v O2 = Capacidade Arterial de O2 (CAO2) – Quantidade de O2 no Sangue Venoso (CVO2).
Definição: Quantidade de oxigênio que é captada pelo músculo durante a circulação.
Modificações Agudas vs. Adaptações Crônicas
Modificações Agudas (Respostas)
Ocorrem durante uma única sessão de treinamento.
Exigem que FC e VS aumentem para levar mais O2 e nutrientes à musculatura.
Exemplo (Homem sem treinamento):
Repouso: FC 72 bpm, VS 70 mL/batimento, DC 5 L/min.
Exercício Máximo: FC 200 bpm, VS 110 mL/batimento, DC 22 L/min.
Adaptações Crônicas (Adaptações)
Ocorrem pela somação dessas respostas agudas ao longo do tempo.
São modificações estruturais, morfológicas e funcionais.
Tornam o sistema cardiovascular mais eficiente.
Exemplo (Homem treinado em repouso): FC 50 bpm, VS 100 mL/batimento, DC 5 L/min (Mesmo débito cardíaco com batimentos muito mais baixos, indicando eficiência).
Resultados do Treinamento (Teste Incremental):
Aumento do Consumo Máximo de Oxigênio (VO2) (Exemplo: 3.07 para 3.87).
Aumento do VS e DC.
A FC máxima não muda (Exemplo: 205 bpm continua 205 bpm).
Adaptações Crônicas em Variáveis Fisiológicas
1. Frequência Cardíaca Submáxima (FC)
Controle Extrínseco: Regulação pelo sistema nervoso autônomo.
Centro de Controle: Bulbo (localizado no cérebro), recebe impulsos aferentes (feedbacks).
Receptores Periféricos (Enviando informações): Barorreceptores, Mecanorreceptores (fuso muscular, órgão tendinoso de Golgi), e Quimiorreceptores.
Mecanismos de Controle
Sistema Parassimpático (Freio):
Ação em Repouso ou Pós-Exercício.
Libera neurotransmissor: Acetilcolina (Ach).
Ação: Diminui a despolarização do nó Sinoatrial (SA), reduzindo a FC.
Sistema Simpático (Acelerador):
Ação durante o Exercício.
Libera neurotransmissor: Noradrenalina.
Ação: Aumenta a despolarização do nó SA, aumentando a FC e a contratilidade cardíaca.
Principal Adaptação Crônica da FC
Diminuição da taquicardia para a mesma carga absoluta (Intensidade Submáxima).
No início do exercício, ocorre inibição do Sistema Nervoso Parassimpático (SNP) e aumento gradual do Sistema Nervoso Simpático (SNS).
Em cargas absolutas (Exemplo: 100 W), o indivíduo treinado ("Atleta" - A) tem uma contribuição do SNS muito menor que o sedentário ("Sedentário" - S).
Exemplo de Eficiência: O treinado pode dobrar a intensidade (de 75 W para 150 W) e ter o mesmo percentual de contribuição do sistema simpático que o sedentário tinha em 75 W.
2. Volume Sistólico (VS)
Definição: Quantidade de sangue ejetada do Ventrículo Esquerdo (VE) a cada sístole.
Fórmula: VS = VDF - VSF.
VDF (Volume Diastólico Final): Quantidade de sangue no VE antes da contração (Diástole/Relaxamento).
VSF (Volume Sistólico Final): Quantidade de sangue que resta no VE após a contração (Sístole).
Principal Adaptação Crônica do VS
Aumento do tamanho da câmara do Ventrículo Esquerdo (VE).
Exemplo: Comparação do Raio X do tórax de um Sedentário e um Maratonista.
Mecanismo da Adaptação (Hipertrofia Excêntrica)
Aumento do VDF (Volume Diastólico Final): Ocorre devido à contração muscular durante o exercício que aumenta o retorno venoso.
Sobreposição de Volume: O aumento do retorno venoso gera uma sobrecarga de volume no VE.
Aumento do Estresse: A sobrecarga de volume aumenta a pressão diastólica final e o stress nas paredes do VE.
Hipertrofia Excêntrica: O aumento do stress causa estiramento longitudinal dos miócitos (fibras do coração). Isso leva à adição em série de novas miofibrilas, resultando na dilatação da câmara cardíaca (Hipertrofia Excêntrica), que é típica do exercício aeróbio.
Exemplo Numérico de Eficiência (Durante o Exercício Físico)
Indivíduo
VDF (mL/batimento)
VSF (mL/batimento)
VS (mL/batimento)
Descrição
Não treinado
143
30
113
Joga sangue "com copinho americano"
Treinado
190
30
160
Joga sangue "de jarra"
3. Diferença Artériovenosa de O2 (Dif a-v O2)
Fator Periférico.
Representa a quantidade de O2 captada por 100 mL de sangue pelos tecidos.
Principal Adaptação Crônica da Dif a-v O2
Aumento da densidade e do número de capilares.
Mecanismo da Adaptação
Mais Capilares: O número de capilares que irrigam a musculatura aumenta (Exemplo: de 3 para 5).
Maior Disponibilidade: Isso gera maior disponibilidade de sangue rico em oxigênio para o músculo.
Fluxo Lento: O aumento de "caminhos" (capilares) provoca uma diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo.
Difusão Maior: A diminuição do fluxo sanguíneo aumenta o tempo para o O2 se difundir do capilar até a fibra muscular, maximizando a captação.
Comparação: O indivíduo treinado tem uma quantidade de capilares circundando a musculatura muito maior do que o não treinado.