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Aula 5 - Necessidades e Avaliação do Gasto Energético



⏱️ Tempo estimado de leitura: 1h10min (leitura completa e atenta, com assimilação dos questionários e glossário) · 30 minutos (revisão rápida, focando narrativas, pontos-chave e destaques finais)


Resumo Sucinto

  • O gasto energético total (GET/VCT/VET) é a energia diária que um indivíduo necessita para manter todas as funções vitais, atividade física e digestão dos alimentos.
  • Os macronutrientes fornecem energia em densidades distintas: carboidratos (4 kcal/g), proteínas (4 kcal/g), lipídios (9 kcal/g) e álcool (7 kcal/g - não é nutriente).
  • A distribuição recomendada no VCT é: carboidratos 50-60%, proteínas 15-20%, lipídios 25-30% (máx. 10% de saturadas e 1% trans); proteínas: 0,8-1 g/kg para adultos normais.
  • A história da calorimetria passa por Sanctorius (1614), Lavoisier & Laplace (1780), Atwater & Rosa (1899) e Harris & Benedict (1919), que publicaram as primeiras equações preditivas da TMB.
  • O GET é composto por três elementos: Taxa Metabólica Basal/GER (60-75%), Efeito Térmico dos Alimentos - ETA (~10%, pouco usado na clínica) e Gasto Energético da Atividade Física - GEAF/FA (15% a >50%).
  • A equação de Harris-Benedict é a mais utilizada na prática; existem também as equações da FAO/OMS e Mifflin-St Jeor.
  • Para pacientes hospitalizados aplica-se: VET = TMB × Fator Atividade (FA) × Fator Injúria (FI) × Fator Térmico (FT).
  • Para crianças e adolescentes utilizam-se as equações das DRIs (FAO/OMS 2001), com deposição energética adicional por faixa etária.
  • A Bioimpedância Elétrica (BIA) mede a composição corporal por corrente elétrica de baixa intensidade; é influenciada pela hidratação e contraindicada em portadores de marcapasso ou pinos metálicos.
  • O desequilíbrio energético grave leva ao Kwashiorkor (deficiência proteica com edema) ou ao Marasmo (deficiência global de energia e proteína).
  • Softwares como o WebDiet facilitam todos os cálculos na prática clínica.

Introdução e Contexto

  • Professor(a): Profa. Ma. Bárbara Tonsic - Nutricionista clínica, Esp. Nutrição Estética e Funcional, Esp. Nutrição Esportiva, Esp. Docência no E.S., Ma. em Ciências de Alimentos, Doutoranda em Promoção da Saúde (UniCesumar).
  • Mediadora/Tutora: Maria (nome completo não mencionado).
  • Data: 03/06/2026 (quarta-feira, véspera de feriado).
  • Horário: início aproximado 19h00; duração total ~1h32min (00:00:21 a 01:32:07).
  • Formato: Aula ao vivo (transmissão online).
  • Plataforma: Sala virtual UniCesumar (transmissão com chat de alunos).
  • Instituição: UniCesumar.
  • Disciplina: Nutrição Humana.
  • Curso: Graduação em Nutrição (também mencionado Ciências de Alimentos).
  • Público: Alunos de graduação em Nutrição (5.ª aula do semestre).
  • Avisos administrativos:
    • Happy Hour em Ciências de Alimentos: 08/06 - 1.ª palestra às 19h, 2.ª palestra às 19h10; comunicado disponível na sala do aluno.
    • Prazo para solicitação de livros "Do meu papel no mundo": até 07/06.
    • Programa Ampliar (monitoria de matemática básica gratuita): disponível na sala do café, conforme postagem da Maria na semana anterior.
    • Próxima aula (Aula 6): tema Água.
    • Feriado no dia seguinte (04/06); retorno das respostas na segunda-feira.
  • Alunos citados nominalmente no chat: Tarcila, Amanda, Ana Paula, Hélio, Laí, Running (Fernanda), Cris, Bia, Karina, Valéria, Amandinha, Patrícia, Cláudia, Pat.
  • Observação sobre calculadora: a professora pediu na aula anterior que os alunos trouxessem calculadora para esta aula; quem não trouxe foi orientado a pausar o vídeo posteriormente.
  • Observação de saúde da professora: Bárbara mencionou ter uma tosse e silenciou o microfone algumas vezes durante a aula.

1. Por Que Comemos? Energia e Metabolismo

data/hora: 00:04:12 - 00:09:15

Slides

  • Slide 4 - Frase motivacional: "Dos alimentos farás a tua medicina" - Hipócrates, 500 a.C.
  • Slide 5 - Título da unidade: "Necessidades e Avaliação do Gasto Energético - Unidade 5".
  • Slide 6 - Fluxograma: Alimentos (carboidratos, proteínas e lipídios como substratos energéticos) → Metabolismo (reações bioquímicas que liberam energia química) → Trabalho + Calor (energia para funções vitais e atividade física). Referência às Aulas 2, 3 e 4 (Digestão, Fisiologia e Bioquímica humana).

1.1 A Energia que o Alimento Produz

Narrativa da Aula

A professora iniciou a aula relembrando a frase de Hipócrates: "Dos alimentos farás a tua medicina", ressaltando que o paciente precisa, antes de qualquer suplemento, ter uma base alimentar bem construída.

"Teu paciente tem que comer comida. Teu paciente tem que deixar suplemento, tem que deixar cápsula como suplemento - aquela cerejinha do bolo. Se a base não tá bem construída, a gente pode gastar milhões em suplementos, mas aquela base precisa ser bem construída."

Em seguida, a professora apresentou o tema da aula - necessidades e avaliação do gasto energético - explicando que os alunos chegarão à graduação perguntando "como sei quantas calorias prescrever para um paciente?" e que esta aula fornece a base, sendo os detalhes aprofundados em disciplinas como Avaliação Nutricional e Nutrição Esportiva.

Para contextualizar por que o corpo precisa de energia, a professora fez a analogia do liquidificador:

"Pegar um liquidificador, colocar qualquer coisa dentro e ligar ele, deixar batendo - ele vai esquentando. Ele tá trabalhando, ele tá gastando energia e ele tá produzindo calor."

Assim como liquidificadores de marcas e capacidades diferentes funcionam de formas distintas, cada organismo humano também funciona de forma única, produzindo calor e gastando energia de modo individualizado. Por isso, não se pode prescrever o mesmo plano de 1.600 kcal para pessoas diferentes.

A professora pediu aos alunos que retornassem às Aulas 2, 3 e 4 (digestão dos macronutrientes, vitaminas e minerais) para consolidar a base antes de estudar o gasto energético.

Exemplos

  • Analogia do liquidificador: o corpo humano, assim como um liquidificador em funcionamento, gasta energia e produz calor. Liquidificadores diferentes (marcas, capacidades, alimentos) comportam-se de formas distintas - assim como corpos diferentes têm gastos energéticos distintos.
  • A professora usou a si mesma como exemplo recorrente ao longo de toda a aula: 1,52 m, ~50-51 kg, pratica crossfit de segunda a sábado, trabalha sentada no computador.

Pontos-Chave

  • Alimento → Metabolismo → Energia (Trabalho + Calor): tudo que ingerimos passa por reações bioquímicas que liberam energia.
  • Individualização é obrigatória: o mesmo plano alimentar não serve para pessoas diferentes porque cada organismo funciona de forma única.
  • Base alimentar > suplementação: sem alimentação adequada, qualquer suplemento é ineficaz.
  • Conexão com aulas anteriores: vitaminas e minerais (Aulas 3 e 4) participam da produção de ATP; sem B1, B6 ou zinco, a geração de energia é comprometida.

Questionário da Seção 1

1. Por que o mesmo plano alimentar não deve ser prescrito para diferentes pacientes? Resposta: Porque cada organismo funciona de forma diferente, com metabolismo, composição corporal, rotina, genética e estado de saúde únicos, gerando gastos energéticos distintos. Analogia: Assim como liquidificadores de marcas diferentes esquentam de formas distintas ao processar os mesmos alimentos, corpos diferentes produzem calor e gastam energia de maneiras únicas.

2. Qual é a relação entre macronutrientes, vitaminas/minerais e a produção de ATP? Resposta: Os macronutrientes fornecem os substratos energéticos, mas as vitaminas e minerais (como B1, B6 e zinco) são cofatores essenciais para as reações bioquímicas que produzem ATP. Sem micronutrientes adequados, a geração de energia é comprometida mesmo com ingestão suficiente de macronutrientes.

3. O que Hipócrates quis dizer com "Dos alimentos farás a tua medicina"? Resposta: Que a alimentação adequada é a base da saúde e da prevenção de doenças, e que o alimento, antes de qualquer medicamento ou suplemento, deve ser a principal ferramenta terapêutica do nutricionista.

4. Por que a professora pediu aos alunos que revisassem as aulas 2, 3 e 4? Resposta: Porque o conteúdo sobre digestão, metabolismo dos macronutrientes e funções das vitaminas e minerais é o fundamento necessário para entender como o corpo gasta energia - tema central da Aula 5.

5. O metabolismo do alimento gera apenas energia útil (trabalho) ou também algo mais? Resposta: Gera tanto trabalho (energia utilizada para funções vitais e atividade física) quanto calor - o organismo, como qualquer máquina em funcionamento, dissipa calor para o ambiente.


2. Macronutrientes como Fontes de Energia e a Distribuição no VCT

data/hora: 00:09:51 - 00:28:47

Slides

  • Slide 7 - Conceito de energia na nutrição: "aquilo que comemos irá gerar determinada força para nosso organismo realizar atividades." Unidades: kcal (1 kcal = 1.000 cal; quantidade de calor para elevar 1 g de água em 1 °C) e kJ (1 kcal = 4,184 kJ). Energia Metabolizável = energia efetivamente disponível após digestão e absorção.
  • Slide 8 - Macronutrientes como fontes de energia:
    • Carboidratos: 4 kcal/g - principal fonte para cérebro e músculos.
    • Proteínas: 4 kcal/g - função estrutural prioritária; energia em situações especiais.
    • Lipídios: 9 kcal/g - maior densidade energética; reserva e funções hormonais.
    • Álcool etílico: 7 kcal/g - não é nutriente; metabolizado pelo fígado.
  • Slide 9 - Pergunta retórica: "QUAL A MINHA NECESSIDADE CALÓRICA?"
  • Slide 10 - Imagem ilustrativa (gerada por IA, 2026).
  • Slide 11 - VCT/VET: distribuição dos macronutrientes segundo as DRI (Institute of Medicine, 2005). Proteínas: 0,8 a 1 g/kg. Lipídios saturados: máx. 10% do VCT; gordura trans: máx. 1%. Exemplo: em dieta de 2.000 kcal, carboidratos devem fornecer entre 1.000 e 1.200 kcal (250-300 g).
  • Slide 12 - Imagem de rótulo nutricional (Fonte: Paviani e Pereira, 2023, p. 106; infoescola, 2026).

2.1 Calorias dos Macronutrientes e o Álcool

Narrativa da Aula

A professora apresentou os valores calóricos de cada macronutriente, afirmando que os alunos já deveriam saber esses dados "na ponta da língua" desde a Aula 2. Destacou o álcool: apesar de não ser um macronutriente, fornece 7 kcal/g - mais que carboidratos e proteínas (4 kcal/g cada) e menos que lipídios (9 kcal/g).

O álcool tem uma particularidade: é absorvido diretamente no estômago, sem passar pelo processo digestivo completo dos outros nutrientes, e exige metabolização hepática intensa. Isso o torna problemático para pacientes que bebem regularmente nos fins de semana.

"Tenho uma paciente assim, inclusive minha amiga [...] de segunda a sexta faz tudo bem bonitinho. Sexta à noite começa a beber. Sábado bebe. Aí domingo, dependendo... é um paciente que sabe que não vai ter o resultado que quer."

A professora mencionou que nesses casos, quando o consumo de álcool é excessivo, é necessário um olhar multiprofissional e o encaminhamento para psicólogo.

Exemplos

  • Paciente fictícia (amiga da professora): excelente adesão à dieta de segunda a sexta, mas consome álcool na sexta, sábado e às vezes domingo, comprometendo o resultado.
  • Comparação direta: carboidrato (4 kcal/g) × álcool (7 kcal/g) - o álcool é quase o dobro em densidade calórica em relação ao carboidrato.

Pontos-Chave

  • Carboidratos: 4 kcal/g - principal substrato para cérebro e músculos.
  • Proteínas: 4 kcal/g - função estrutural prioritária; energia em situações especiais.
  • Lipídios: 9 kcal/g - maior densidade energética; funções hormonais e de reserva.
  • Álcool: 7 kcal/g - não é nutriente; absorção rápida no estômago; metabolismo hepático prioritário; impacta resultados clínicos.
  • Abordagem multiprofissional em casos de alcoolismo: encaminhar ao psicólogo quando necessário.

2.2 Valor Calórico Total (VCT) / Valor Energético Total (VET) e Distribuição dos Macronutrientes

Narrativa da Aula

A professora explicou que as siglas VCT, VET e GET (Gasto Energético Total) são equivalentes - representam tudo que o indivíduo precisa consumir de energia no dia, considerando todas as suas necessidades. A origem das recomendações de distribuição de macronutrientes vem das DRIs (Dietary Reference Intakes), publicadas pelo Institute of Medicine (2005), que já foram apresentadas brevemente na Aula 3.

"Se o professor trouxer para vocês dessa forma [GET] e vocês vão falar: 'Professor, tá errado porque a Bárbara na nutrição humana falou que é VCT ou VET' - mesma coisa, tudo igual."

Distribuição recomendada no VCT:

  • Carboidratos: 50 a 60% (algumas literaturas: 55-75%) - a maior proporção, pois é o principal substrato energético.
  • Proteínas: 15 a 20% / 0,8-1 g/kg de peso para pessoa normal.
  • Lipídios: 25 a 30% - máximo de 10% de gorduras saturadas e 1% de gordura trans.

A professora exemplificou com uma dieta de 2.000 kcal: os carboidratos forneceriam entre 1.000 e 1.200 kcal. Usou o rótulo de um biscoito (143 kcal a cada 2 unidades, baseado em 2.000 kcal/dia) para questionar os alunos: essa base de 2.000 kcal é adequada para todos?

"Eu, que pratico atividade física intensa de segunda a sábado, seis vezes por semana, não chego a 2.000 calorias."

Isso ilustra que a base de 2.000 kcal dos rótulos é genérica demais - é necessário individualizar para cada paciente. A palavra-chave que os alunos precisarão aprender a usar é: "Depende."

Em relação às gorduras saturadas, a professora reforçou o mecanismo: por não terem ligação dupla, são moléculas lineares e sólidas à temperatura ambiente (ex.: a gordura que solidifica na frigideira após cozinhar carne), facilitando a aderência às artérias.

Para o cálculo em gramas de proteína:

  • Paciente de 60 kg: 60 × 0,8 = 48 g de proteína (mínimo); 60 × 1 = 60 g de proteína (máximo).

"Lembrando que 60 g de proteína é diferente de 60 g de um bife, um frango, tá bem?"

Exemplos

  • Rótulo de biscoito: 143 kcal/2 biscoitos, baseado em dieta de 2.000 kcal - questionamento sobre para quem essa referência é válida.
  • Professora Bárbara (1,52 m, ~51 kg, crossfit 6×/semana): não chega a 2.000 kcal mesmo em ganho de massa.
  • Paciente de 60 kg: mínimo de 48 g e máximo de 60 g de proteína/dia.
  • Gordura da picanha solidificando na frigideira: analogia visual para gordura saturada e sua tendência a aderir às artérias.

Pontos-Chave

  • VCT = VET = GET: termos equivalentes para o gasto energético total diário.
  • Fonte das recomendações: DRIs - Institute of Medicine, 2005 (tabelinha da Aula 3).
  • Distribuição de macronutrientes no VCT:
Macronutriente % do VCT Observação
Carboidratos 50-60% Pode variar entre 55-75% em algumas literaturas
Proteínas 15-20% 0,8-1 g/kg para pessoa normal (sem atividade intensa)
Lipídios 25-30% Máx. 10% saturados; máx. 1% trans
  • Gordura saturada: sem ligação dupla → estrutura linear → sólida à temperatura ambiente → maior risco de aderência arterial.
  • Gordura trans: praticamente banida; ≤1% do VCT.
  • Cálculo de proteína: peso (kg) × g/kg recomendado = gramas/dia; 60 g de proteína ≠ 60 g de alimento proteico.
  • "Depende" é a resposta correta para a maioria das perguntas sobre prescrição individual.

Questionário da Seção 2

1. Quais são as fontes das recomendações de distribuição de macronutrientes no VCT? Resposta: As DRIs (Dietary Reference Intakes), publicadas pelo Institute of Medicine em 2005.

2. Por que a base de 2.000 kcal dos rótulos é inadequada para individualização? Resposta: Porque essa referência é genérica e não considera as características individuais do paciente (peso, altura, sexo, genética, nível de atividade física, estado de saúde, etc.). Uma pessoa ativa com 1,52 m pode precisar de menos de 2.000 kcal mesmo para ganho de massa.

3. Por que as gorduras saturadas aumentam o risco cardiovascular? Resposta: Por não terem ligações duplas, são moléculas lineares e rígidas, sólidas à temperatura ambiente. Essa estrutura facilita a aderência nas paredes arteriais, podendo causar obstrução e problemas coronarianos. Analogia: Assim como a gordura da carne gruda e solidifica na frigideira ao esfriar, a gordura saturada "gruda" nas artérias.

4. Como calcular a necessidade mínima de proteína para um adulto de 70 kg sem atividade física intensa? Resposta: 70 kg × 0,8 g/kg = 56 g de proteína/dia (mínimo); máximo: 70 × 1 = 70 g/dia.

5. Por que 1 g de proteína em grama de alimento não equivale a 1 g de proteína pura? Resposta: Porque um alimento proteico (bife, frango, ovo) contém outros componentes (água, gordura, etc.) além da proteína em si. 60 g de proteína em uma dieta não significa comer apenas 60 g de frango - a quantidade real de alimento é bem maior.


3. Evolução Histórica da Calorimetria

data/hora: 00:28:48 - 00:35:10

Slides

  • Slide 13 - Evolução histórica: Da Balança Metabólica à Combustão Respiratória:
    1. Sanctorius (1614): criou a balança metabólica; mediu variações de peso corporal × alimentação/excreção → primeiro estudo de metabolismo humano.
    2. Lavoisier & Laplace (1780): respiração é uma forma de combustão; construíram o primeiro calorímetro indireto (trocas gasosas).
    3. Atwater & Rosa (1899): calorimetria → consumo kcal = calor liberado + energia de trabalho.
    4. Harris & Benedict (1919): publicaram as primeiras equações de predição da TMB.
  • Slide 14 - Imagem histórica ilustrativa (Fonte: Paviani e Pereira, 2023, p. 107).
  • Slide 15 - Calorimetria Direta: mede diretamente o calor dissipado pelo corpo para o ambiente por meio de câmara isolada termicamente. Vantagens: alta precisão, medição direta do calor produzido. Limitações: caro, grande porte, restringe movimentos, uso limitado à pesquisa. Não é aplicável na prática clínica rotineira.
  • Slide 16 - Frase de destaque: "Ou seja, a todo instante, gastamos energia."

3.1 Como Surgiu o Estudo do Gasto Energético

Narrativa da Aula

A professora narrou a evolução histórica de forma cronológica, contextualizando como os cientistas chegaram às equações que usamos hoje.

Sanctorius (1614): Observou uma diferença de peso entre antes e depois de uma refeição e após ir ao banheiro. Isso gerou a primeira pergunta: o que acontece com a massa quando comemos e excretamos?

Lavoisier & Laplace (1780): Estudaram a combustão e perceberam que a respiração é uma forma de combustão. Observaram que um cubo de gelo colocado em um ambiente mais quente derreteria - o corpo perde calor para o ambiente, assim como uma vela que se apaga quando o oxigênio é retirado.

"Eles viram que esse gelo derretendo é o corpo perdendo calor pro ambiente e alguma coisa tá acontecendo aí."

Também explicaram por que sentimos mais fome no frio: o corpo perde calor para o ambiente, precisa produzir energia para manter a temperatura corporal, e por isso o apetite aumenta.

"Por que que no frio a gente sente mais fome? A gente tá perdendo calor pro ambiente. Então a gente precisa produzir, precisa gastar energia para manter a nossa temperatura corporal."

Atwater & Rosa (1899): Refinaram os estudos de calorimetria, usando uma câmara isolada termicamente dentro de um quarto. A pessoa ficava dentro da câmara e eles mediam o calor liberado - comprovando que o corpo gasta energia mesmo em repouso.

Harris & Benedict (1919): Consolidaram todos esses estudos anteriores e publicaram as primeiras equações preditivas da TMB (Taxa Metabólica Basal) - estimando quanto de energia uma pessoa gasta em repouso, apenas existindo.

A professora explicou a diferença entre Calorimetria Direta (mede o calor dissipado para o ambiente em câmara isolada - alta precisão, inviável na clínica) e os métodos práticos usados atualmente (equações, bioimpedância).

Exemplos

  • Cubo de gelo: em um ambiente quente, derrete porque o corpo (ou o ambiente) perde calor. Analogia para entender troca gasosa e gasto energético.
  • Vela e oxigênio: ao cobrir uma vela e retirar o oxigênio, ela se apaga. Sem trocas gasosas, não há combustão - assim como o corpo precisa de oxigênio para gerar energia.
  • Frio e fome: o organismo aumenta o apetite no frio para repor a energia perdida na manutenção da temperatura corporal.

Pontos-Chave

  • Cronologia histórica da calorimetria:
Ano Cientista(s) Contribuição
1614 Sanctorius Balança metabólica; 1.º estudo de metabolismo humano
1780 Lavoisier & Laplace Respiração = combustão; 1.º calorímetro indireto
1899 Atwater & Rosa Calorimetria completa; kcal = calor + trabalho
1919 Harris & Benedict Primeiras equações preditivas da TMB
  • Calorimetria Direta: mede calor dissipado em câmara isolada → alta precisão, mas inviável clinicamente.
  • Gasto energético existe a todo instante, mesmo em repouso absoluto.
  • Frio aumenta fome porque o corpo precisa de mais energia para manter a temperatura corporal.

Questionário da Seção 3

1. Qual foi a contribuição de Sanctorius para o estudo do metabolismo? Resposta: Em 1614, ele criou a balança metabólica e observou que o peso corporal variava entre a alimentação e a excreção, sendo o primeiro a estudar quantitativamente o metabolismo humano.

2. O que Lavoisier & Laplace descobriram sobre a respiração? Resposta: Que a respiração é uma forma de combustão - o corpo troca gases com o ambiente e gera calor, assim como uma chama. Eles construíram o primeiro calorímetro indireto baseado nas trocas gasosas.

3. Por que sentimos mais fome no frio? Resposta: Porque o organismo perde calor para o ambiente frio e precisa gastar mais energia para manter a temperatura corporal. Esse aumento de gasto energético estimula o apetite para repor a energia perdida.

4. Por que a Calorimetria Direta não é usada na prática clínica? Resposta: Porque exige uma câmara isolada termicamente, é cara, de grande porte, restringe os movimentos do paciente e não é viável para o dia a dia clínico. É usada somente em pesquisas científicas de grande porte.

5. Qual foi a importância de Harris & Benedict para a nutrição clínica? Resposta: Em 1919, eles consolidaram todos os estudos anteriores e publicaram as primeiras equações preditivas da Taxa Metabólica Basal (TMB), que permitem estimar o gasto energético em repouso sem precisar de câmaras calorimetrias - equações ainda utilizadas hoje.


4. Componentes do Gasto Energético Total (GET)

data/hora: 00:35:10 - 00:51:15

Slides

  • Slide 16 - "Ou seja, a todo instante, gastamos energia."
  • Slide 17 - Imagem ilustrativa (gerada por IA, 2026).
  • Slide 18 - TMB × GER:
    • TMB (Taxa Metabólica Basal): medida em condições basais estritas (jejum de 12h, repouso absoluto, temperatura neutra, estado acordado). Representa a energia mínima para manutenção das funções vitais. Contexto de laboratório; usualmente reproduzida em estudos científicos.
    • GER (Gasto Energético de Repouso): medida em condições de repouso pós-absortivo (3-4h após refeição); condições menos rígidas. Mais usado na prática clínica; sempre referido como "TMB" pelos nutricionistas.
  • Slide 19 - Efeito Térmico dos Alimentos (ETA): energia gasta em digestão, absorção, transporte e metabolismo dos nutrientes. Proteínas: 20-30%; Carboidratos: 5-10%; Lipídios: 0-3%. ETA ≈ 10% do GET em dieta mista. Na prática clínica: POUCO UTILIZADO.
  • Slide 20 - GEAF / FA: variável de 15% (sedentário) a >50% (atleta de elite). Componentes: Exercício programado, NEAT (Non-Exercise Activity Thermogenesis), MET (1 MET = 3,5 mL O₂/kg/min). Tabela de Fator Atividade: Sedentário (FA 1,2) → Levemente ativo (FA 1,375) → Moderadamente ativo (FA 1,55) → Muito ativo (FA 1,725) → Variável (tabelas).
  • Slide 21 - Fatores que influenciam o GER:
    • Composição corporal: massa magra é o principal determinante do GER (maior MM = maior GER).
    • Idade: GER diminui ~2%/década após os 30 anos.
    • Gênero: homens têm GER ~5-10% maior por maior proporção de MM.
    • Hormônios: tireoide (T3/T4) e catecolaminas regulam o GER.
    • Temperatura corporal: cada 1°C de febre aumenta o GER em ~10-13%.

4.1 Taxa Metabólica Basal (TMB) e Gasto Energético de Repouso (GER)

Narrativa da Aula

A professora explicou que o corpo gasta energia mesmo quando estamos completamente parados - e que essa energia é o componente mais importante do GET (60-75% do total).

"Nesse momento, meu cérebro tá pensando, meu olho tá enxergando. Meu coração tá batendo, meu estômago tá gerindo alguma coisa que eu comi, meu intestino tá funcionando [...] o meu pulmão tá inflando, o meu cérebro ainda que não tá pensando, mas tá sonhando, tá vagando. Isso gasta muita energia."

A diferença entre TMB e GER:

  • TMB: medida em condições extremamente controladas - jejum de 12 horas, repouso absoluto, temperatura neutra, estado acordado. É quase impossível reproduzir fora de laboratório. Usada principalmente em estudos científicos.
  • GER: medida em condições menos rígidas (repouso pós-absortivo de 3-4h), mais representativo da realidade clínica. Na prática, os nutricionistas sempre usam o termo "TMB" mesmo quando se referem ao GER.

"Na prática clínica vocês sempre vão ouvir falar TMB, TMB, TMB. Quando tiver exercícios para calcular, vai ser TMB."

A variação de 60-75% ocorre porque cada organismo funciona de forma diferente, conforme já explicado pela analogia dos liquidificadores.

Pontos-Chave

  • GER/TMB: maior componente do GET = 60-75% do gasto diário total.
  • TMB (condições laboratoriais): jejum de 12h, repouso absoluto, temperatura neutra, acordado → usada em pesquisas.
  • GER (condições clínicas): repouso pós-absortivo (3-4h após refeição), condições menos rígidas → usado na prática.
  • Na prática clínica, ambos são chamados de TMB.
  • Fatores que influenciam o GER:
    • Composição corporal (massa magra ↑ → GER ↑)
    • Idade (GER ↓ ~2%/década após 30 anos)
    • Gênero (homens > mulheres em ~5-10%)
    • Hormônios (tireoide T3/T4, catecolaminas)
    • Temperatura corporal (febre: +10-13% por °C)

4.2 Efeito Térmico dos Alimentos (ETA)

Narrativa da Aula

O ETA é a energia que o corpo gasta para digerir, absorver, transportar e metabolizar os nutrientes. A professora listou todas as etapas que demandam energia desde a mastigação até a excreção:

"Estou gastando energia para produzir a amilase salivar, para começar a atuar nos carboidratos. Tô gastando energia para deglutir. Tô gastando energia para abrir meu esfíncter e descer esse bolo alimentar lá pro meu estômago. Tô gastando energia para produzir ácido clorídrico, para transformar pepsinogênio em pepsina..."

As proteínas têm o maior efeito térmico (20-30% da energia ingerida), o que também explica sua maior saciedade. Os carboidratos ficam em 5-10% e os lipídios em 0-3%.

Apesar de existir e representar ~10% do GET, o ETA é pouco usado na prática clínica por ser pequeno demais para fazer diferença nos cálculos. A exceção são atletas de alta performance, onde 10% de 4.000 kcal = 400 kcal - valor expressivo.

"Vamos pensar em mim. 1.800 calorias - 180 calorias a mais. Será que vale a pena? 180 calorias é o azeite que eu coloco na salada no almoço e na janta, às vezes no queijo que eu como à tarde."

Pontos-Chave

  • ETA (Efeito Térmico dos Alimentos): energia gasta para digerir, absorver, transportar, metabolizar e excretar os nutrientes.
  • Por macronutriente:
Macronutriente ETA (% da energia ingerida)
Proteínas 20-30%
Carboidratos 5-10%
Lipídios 0-3%
  • Média em dieta mista: ~10% do GET.
  • Na prática clínica: pouco utilizado (exceção: atletas de alta performance).
  • Proteínas: maior ETA → maior saciedade → paciente come menos.

4.3 Gasto Energético da Atividade Física (GEAF / Fator Atividade - FA)

Narrativa da Aula

O FA é o componente mais variável do GET, indo de 15% (sedentário) a mais de 50% (atleta de elite). A professora usou exemplos práticos para mostrar que a classificação do FA depende muito do conjunto total de atividades do dia, não apenas do treino.

Ela própria faz crossfit 6×/semana (1h/dia) mas trabalha sentada no computador o resto do dia - não se classificaria como "muito ativa". Em contraste, um técnico de enfermagem que treina apenas 40 minutos/dia na musculação, mas fica de pé, sobe e desce escadas e manipula pacientes durante todo o turno, teria um FA mais alto.

"Então esse fator atividade física, vocês vão penar muito e não vão gostar de nós professores quando vocês perguntarem qual usar - porque a gente não vai ter uma fórmula de bolo."

O NEAT (Non-Exercise Activity Thermogenesis) é o gasto com movimentos espontâneos do cotidiano que não são exercícios programados. O MET (Equivalente Metabólico; 1 MET = 3,5 mL O₂/kg/min) é usado para atividades físicas mais específicas e será visto em Avaliação Nutricional e Nutrição Esportiva.

Os valores de FA variam entre tabelas (ex.: atividade moderada aparece como 1,4-1,6 em uma tabela e 1,5-1,8 em outra). A orientação é escolher uma tabela de referência e usá-la consistentemente.

Exemplos

  • Professora Bárbara: crossfit 6×/semana + trabalho sentada → FA não seria "muito ativo".
  • Personal trainer: 1h30 de treino intenso + dia inteiro se movimentando com clientes → FA mais alto.
  • Técnico de enfermagem: 40 min de musculação + dia inteiro de pé, subindo escadas, manipulando pacientes → FA maior que o da professora apesar de treinar menos.

Pontos-Chave

  • GEAF/FA: energia gasta com atividade física; componente mais variável (15->50% do GET).
  • Tabela de FA (Harris-Benedict / referências comuns):
Nível de atividade FA
Sedentário 1,2
Levemente ativo 1,375
Moderadamente ativo 1,55
Muito ativo 1,725
Extremamente ativo 1,9
  • NEAT: movimentos espontâneos do dia a dia (não exercícios programados) - incluídos no FA.
  • MET: equivalente metabólico (1 MET = 3,5 mL O₂/kg/min) - para atividades específicas; visto em Nutrição Esportiva.
  • FA varia entre tabelas - escolher uma referência e aplicar consistentemente.
  • Anamnese detalhada é indispensável para classificar corretamente o FA.

Questionário da Seção 4

1. Por que o GER/TMB é o principal componente do GET? Resposta: Porque o organismo gasta energia para manter todas as funções vitais mesmo em repouso absoluto - respiração, batimentos cardíacos, funcionamento intestinal, atividade cerebral, etc. Esse gasto representa 60-75% de toda a energia consumida no dia.

2. Qual a diferença prática entre TMB e GER? Resposta: A TMB é medida em condições laboratoriais estritas (jejum de 12h, repouso absoluto, temperatura neutra). O GER é medido em condições menos rígidas (repouso pós-absortivo). Na prática clínica, ambos são chamados de "TMB".

3. Por que as proteínas conferem maior saciedade que carboidratos e lipídios? Resposta: Porque têm o maior efeito térmico (20-30% da energia ingerida) - o organismo precisa trabalhar mais para digeri-las, o que prolonga a sensação de saciedade.

4. Por que o ETA é raramente usado na prática clínica, mas é importante para atletas de elite? Resposta: Para uma pessoa com consumo de ~1.800 kcal, o ETA representa apenas ~180 kcal - irrelevante na prática. Para um atleta que consome 4.000 kcal/dia, o ETA representa ~400 kcal - valor que passa a ter impacto real no planejamento.

5. Um profissional de TI que faz 1h de corrida por dia mas trabalha 8h sentado deve ter qual FA, comparado a um professor de educação física que dá aulas práticas o dia inteiro sem treino extra? Resposta: Provavelmente o professor de educação física terá FA mais alto, pois o movimento contínuo ao longo do dia (NEAT + atividade profissional) supera o impacto de 1h de treino intenso seguida de um dia sedentário. O FA considera todo o gasto do dia, não apenas o treino.


5. Equações de Predição da TMB

data/hora: 00:51:15 - 01:00:03

Slides

  • Slide 22 - Equação de Harris-Benedict (1919) - a mais utilizada:
    • Homens: TMB = 66,43 + (5,0033 × A) + (13,7516 × P) - (6,775 × I)
    • Mulheres: TMB = 655,09 + (1,8496 × A) + (9,5634 × P) - (4,676 × I)
    • (P = peso em kg; A = altura em cm; I = idade em anos)
    • Limitação: desenvolvida em 1919 com amostra pequena e homogênea; pode superestimar o GER em obesos e idosos.
  • Slide 23 - Exemplo Harris-Benedict: homem, bancário, 36 anos, 79 kg, 1,76 m → TMB = 1.770,52 kcal.
  • Slide 24 - Equações Modernas:
    • FAO/OMS/UNU (1985): fórmulas por faixa etária (18-29, 30-59, >60 anos), separadas por sexo.
    • Mifflin-St Jeor (1990): Homens: GER = (10 × P) + (6,25 × A) - (5 × I) + 5; Mulheres: GER = (10 × P) + (6,25 × A) - (5 × I) - 161. Mais precisa para adultos com peso normal e sobrepeso (AND, 2005).

5.1 Harris-Benedict e Outras Equações Preditivas

Narrativa da Aula

A professora apresentou as equações de predição da TMB, com ênfase em Harris-Benedict como a mais utilizada na prática. Advertiu os alunos sobre a ordem das operações matemáticas:

"Primeiro a gente resolve as coisas dentro dos parênteses, chaves, colchetes; aí a multiplicação e divisão; e depois a gente vai pra soma e subtração."

Resolveu passo a passo o exemplo do slide (homem bancário, 36 anos, 79 kg, 1,76 m):

  1. TMB = 66,5 + (5,003 × 176) + (13,75 × 79) - (6,75 × 36)
  2. TMB = 66,5 + 880,52 + 1.066,5 - 243
  3. TMB = 1.770,52 kcal

"Esse é o que ele gasta num dia ali para se manter vivo, manter todas as funções fisiológicas dele."

A professora recomendou o programa Ampliar (monitoria de matemática gratuita da UniCesumar) para alunos com dificuldades em cálculos básicos.

Em seguida, apresentou a equação Mifflin-St Jeor (1990) - mais precisa para adultos com peso normal e sobrepeso - e a tabela da FAO/OMS/UNU (1985) com fórmulas por faixa etária. Ressaltou que a escolha da equação depende do perfil do paciente ("depende") e que os softwares permitem selecionar qual usar.

Exemplos

  • Cálculo completo: homem bancário, 36 anos, 79 kg, 1,76 m → TMB = 1.770,52 kcal (Harris-Benedict para homens).
  • Alerta de erro comum: fazer soma antes da multiplicação invalida o resultado inteiro.

Pontos-Chave

  • Harris-Benedict (1919): mais utilizada; desenvolvida com ~333 pessoas; pode superestimar em obesos e idosos.
    • Homens: TMB = 66,43 + (5,0033 × A) + (13,7516 × P) - (6,775 × I)
    • Mulheres: TMB = 655,09 + (1,8496 × A) + (9,5634 × P) - (4,676 × I)
  • FAO/OMS/UNU (1985): fórmulas por faixa etária e sexo (P = peso em kg).
  • Mifflin-St Jeor (1990): mais precisa para peso normal e sobrepeso (AND, 2005).
    • Homens: GER = (10 × P) + (6,25 × A) - (5 × I) + 5
    • Mulheres: GER = (10 × P) + (6,25 × A) - (5 × I) - 161
  • Ordem das operações: parênteses → multiplicação/divisão → soma/subtração.
  • Variáveis nas fórmulas: P = peso (kg), A = altura (cm), I = idade (anos).
  • Programa Ampliar: monitoria gratuita de matemática básica da UniCesumar (sala do café).

Questionário da Seção 5

1. Quais variáveis a equação de Harris-Benedict utiliza para calcular a TMB? Resposta: Peso (kg), altura (cm) e idade (anos). As constantes multiplicadoras diferem entre homens e mulheres.

2. Calcule a TMB de uma mulher de 30 anos, 60 kg, 1,65 m usando Harris-Benedict. Resposta: TMB = 655,09 + (1,8496 × 165) + (9,5634 × 60) - (4,676 × 30) = 655,09 + 305,18 + 573,80 - 140,28 = 1.393,79 kcal.

3. Qual equação é recomendada para pacientes com sobrepeso e por quê? Resposta: A Mifflin-St Jeor (1990), pois é mais precisa para adultos com peso normal e sobrepeso, conforme indicação da AND (2005). Harris-Benedict pode superestimar o GER em obesos.

4. Por que errar a ordem das operações matemáticas invalida o cálculo da TMB? Resposta: Porque somar antes de multiplicar altera completamente o resultado. As multiplicações devem ser resolvidas primeiro (dentro dos parênteses), depois as somas e subtrações.

5. Por que há diferentes equações de predição da TMB em vez de uma única universal? Resposta: Porque as equações foram desenvolvidas em diferentes populações, épocas e com metodologias distintas. Cada uma tem maior precisão para um perfil específico de paciente (atletas, obesos, idosos, crianças). A escolha depende do perfil individual do paciente.


6. Fatores de Ajuste para o GET - Pacientes Hospitalizados

data/hora: 01:00:03 - 01:07:00

Slides

  • Slide 25 - Fatores de ajuste para o GET/VET:
    • VET = TMB × FA × FI × FT (quando aplicável)
    • FA (Fator Atividade): Sedentário 1,2 · Leve 1,375 · Moderado 1,55 · Intenso 1,725 · Muito intenso 1,9 (valores diferem entre referências).
    • FI (Fator Injúria) - Long et al. (1979): Cirurgia eletiva 1,0-1,1 · Trauma 1,1-1,8 · Sepse 1,2-1,6 · Queimadura grave até 2,1. Sem injúria = 1,0.
    • FT (Fator Térmico): Normotermia 1,0 · Febre 38°C = 1,1 · Febre 39°C = 1,2 · Febre 40°C = 1,3.
  • Slide 26 - Tabela de FA para hospitalizados (Fonte: Paviani e Pereira, 2023, p. 112).
  • Slide 27 - Exemplo hospitalar: mulher, 45 anos, hospitalizada + deambulando, pós-operatório de câncer, 67 kg, 1,71 m, afebril → VET = 1.928,32 kcal.

6.1 Cálculo do VET em Pacientes Hospitalizados

Narrativa da Aula

A professora reforçou que um paciente hospitalizado não é avaliado da mesma forma que um paciente de clínica. Pacientes com queimaduras, febre, cirurgia ou trauma têm um gasto energético muito maior.

"Um paciente que tá com febre, o corpo dele tá ali, ó, trabalhando. Se ele tá com febre, porque ele tem algum agente invasor, tem algum patógeno ali que o sistema imune tá querendo combater. Então o sistema metabólico também tá ali trabalhando. Isso tudo gasta mais energia."

A fórmula para hospitalizados é: VET = TMB × FA × FI × FT

Onde:

  • FA nesse contexto usa uma tabela específica para hospitalizados (p. 112 do livro - Paviani e Pereira, 2023), com valores como "acamado + móvel = 1,25".
  • FI (Fator Injúria - Long et al., 1979): considera o tipo de trauma ou doença.
  • FT (Fator Térmico): considera a presença e o grau de febre.

Resolveu o exemplo do slide passo a passo:

  1. TMB (Harris-Benedict para mulheres): = 655,09 + (1,8496 × 171) + (9,5634 × 67) - (4,676 × 45) = 655,09 + 316,28 + 640,74 - 210,42 = 1.401,69 kcal
  2. FA (deambulando/acamada+móvel) = 1,25
  3. FI (pós-operatório de câncer) = 1,1
  4. FT (afebril) = 1,0
  5. VET = 1.401,69 × 1,25 × 1,1 × 1,0 = 1.928,32 kcal

Exemplos

  • Caso clínico (Slide 27): mulher, 45 anos, hospitalizadas deambulando, pós-op câncer, 67 kg, 1,71 m, afebril → VET = 1.928,32 kcal.
  • Estudo de caso (Slide 39, para resolução em casa): mulher, 58 anos, pós-op câncer colorretal, acamada, 65 kg, 162 cm, febre 38,5°C → GET ≈ 2.325 kcal/dia. Valor corrigido = 2.252 kcal/dia.

Pontos-Chave

  • VET hospitalar = TMB × FA × FI × FT.
  • FA para hospitalizados: tabela específica (Paviani e Pereira, 2023, p. 112) - ex.: acamado + móvel = 1,25; acamado = 1,2.
  • FI (Fator Injúria - Long et al., 1979):
Condição FI
Sem injúria 1,0
Cirurgia eletiva 1,0-1,1
Trauma 1,1-1,8
Sepse 1,2-1,6
Queimadura grave até 2,1
  • FT (Fator Térmico):
Temperatura FT
Normal (afebril) 1,0
Febre 38°C 1,1
Febre 39°C 1,2
Febre 40°C 1,3
  • Paciente hospitalizado ≠ paciente de clínica - avaliação completamente diferente.

Questionário da Seção 6

1. Por que pacientes hospitalizados têm maior gasto energético que pacientes ambulatoriais? Resposta: Porque condições como febre, trauma, cirurgia e infecção ativam o sistema imunológico e processos de reparação tecidual que demandam muito mais energia. Cada grau de febre, por exemplo, aumenta o GER em ~10-13%.

2. Qual a fórmula completa para o VET de um paciente hospitalizado? Resposta: VET = TMB × FA × FI × FT (Fator Atividade × Fator Injúria × Fator Térmico).

3. Um paciente com queimadura grave e febre de 39°C - quais seriam os fatores FI e FT aproximados? Resposta: FI = até 2,1 (queimadura grave); FT = 1,2 (febre 39°C).

4. Se um paciente não tem febre nem injúria, como esses fatores entram na fórmula? Resposta: São iguais a 1,0 - ou seja, multiplicam a TMB por 1, sem acréscimo. O único fator relevante seria o FA.

5. Por que o nutricionista não deve usar o mesmo FA de atividade física (sedentário, ativo, etc.) para um paciente hospitalizado? Resposta: Porque a tabela de FA para hospitalizados é específica para esse contexto (acamado, acamado+móvel, deambulando), conforme Paviani e Pereira (2023), p. 112. O FA para população geral usa uma escala diferente que não se aplica à realidade hospitalar.


7. Necessidades Energéticas de Crianças e Adolescentes

data/hora: 01:00:03 - 01:15:04

Slides

  • Slide 28 - Crianças/adolescentes - FAO/OMS (2001): fórmulas com fator atividade (tabelado). Fonte: Paviani e Pereira, 2023, p. 113.
  • Slide 29 - Tabela de fator atividade para crianças e adolescentes (Fonte: Paviani e Pereira, 2023, p. 114).
  • Slide 30 - DRIs - VET para crianças 0-36 meses: EER = TEE + DE (Deposição de Energia).
    • 0-3 meses: (89 × P - 100) + 175
    • 4-6 meses: (89 × P - 100) + 56
    • 7-12 meses: (89 × P - 100) + 22
    • 12-35 meses: (89 × P - 100) + 20
  • Slide 31 - DRIs - 3 a 8 anos:
    • Masculino: EER = 88,5 - (61,9 × I) + AF × (26,7 × P + 903 × A) + 20 (DE)
    • Feminino: EER = 135,3 - (30,8 × I) + AF × (10,0 × P + 934 × A) + 20 (DE)
  • Slide 32 - DRIs - 9 a 18 anos:
    • Masculino: EER = 88,5 - (61,9 × I) + AF × (26,7 × P + 903 × A) + 25 (DE)
    • Feminino: EER = 135,3 - (30,8 × I) + AF × (10,0 × P + 934 × A) + 25 (DE)
  • Slide 33 - Exemplo prático: menina, 1,23 m, 29,8 kg, 7 anos, educação física 2×/semana + balé 1×/semana + celular/tablet o resto do dia → AF pouco ativa = 1,16 → EER = 1.618,01 kcal.

7.1 Equações das DRIs para Crianças e Adolescentes

Narrativa da Aula

A professora explicou que crianças e adolescentes em fase de crescimento têm necessidades energéticas diferentes dos adultos. Para isso existem as equações das DRIs (FAO/OMS, 2001), que já incluem no cálculo o gasto energético total (não apenas a TMB) mais um adicional energético para a deposição de energia - energia necessária para o crescimento tecidual.

"EER = TEE + DE. Esse D, que é a deposição de energia, é o valor energético adicional para a criança se desenvolver adequadamente naquela faixa etária."

As fórmulas variam por faixa etária (0-36 meses, 3-8 anos, 9-18 anos) e por sexo. O FA (fator atividade) é tabelado na página 114 do livro (Paviani e Pereira, 2023), separado por sexo e faixa etária.

A professora alertou novamente sobre a importância de uma anamnese detalhada: a mãe de uma menina de 7 anos que relata "EF 2×/semana + balé 1×/semana" sem informar que a criança fica no celular/tablet o resto do dia poderia induzir o nutricionista a usar um FA mais alto do que o correto.

"Se a mãe não me fala isso, eu não vou saber. Na minha cabeça, se a mãe não me fala que fica no celular, ia considerar ela pouco ativa. Aí talvez eu fosse jogar o fator atividade física um pouquinho mais para cima."

O exemplo foi resolvido no slide (fórmula para meninas de 3-8 anos):

  1. EER = 135,3 - (30,8 × 7) + 1,16 × (10,0 × 29,8 + 934 × 1,23) + 20
  2. EER = 135,3 - 215,6 + 1,16 × (298 + 1.148,82) + 20
  3. EER = 135,3 - 215,6 + 1,16 × 1.446,82 + 20
  4. EER = 135,3 - 215,6 + 1.678,31 + 20
  5. EER = 1.618,01 kcal

Exemplos

  • Menina de 7 anos: 1,23 m, 29,8 kg, EF 2×/semana + balé 1×/semana + celular o resto do dia → FA = 1,16 (pouco ativa) → EER = 1.618 kcal.
  • Contraste: se a mãe não informa sobre o celular, o nutricionista poderia classificá-la como ativa e usar FA maior, superestimando as necessidades.

Pontos-Chave

  • EER (Estimated Energy Requirement): necessidade energética estimada para crianças/adolescentes.
  • EER = TEE (Total Energy Expenditure) + DE (Deposição de Energia).
  • DE: energia adicional para crescimento tecidual - varia por faixa etária (ex.: 20 kcal para 3-8 anos; 25 kcal para 9-18 anos).
  • Fórmulas por faixa etária (DRIs - FAO/OMS 2001):
    • 0-36 meses: fórmula simplificada baseada em peso (89 × P - 100) + DE.
    • 3-8 anos: separado por sexo, considera I (idade em anos), P (kg), A (metros), AF.
    • 9-18 anos: mesmas variáveis, DE = 25 kcal.
  • FA para crianças/adolescentes: tabelado em Paviani e Pereira (2023), p. 114, separado por sexo e faixa etária.
  • Anamnese detalhada é fundamental para classificar corretamente o nível de atividade física.

Questionário da Seção 7

1. O que é a Deposição de Energia (DE) nas fórmulas pediátricas e por que ela existe? Resposta: É um adicional calórico incluído na fórmula para suprir a energia necessária ao crescimento tecidual da criança. Crianças não apenas mantêm funções vitais - elas também constroem novos tecidos, o que demanda energia extra.

2. Quais variáveis entram na fórmula EER para crianças de 3-8 anos? Resposta: Idade (anos), Fator Atividade (AF), Peso (kg), Altura (metros) e a Deposição de Energia (20 kcal para essa faixa etária).

3. Por que a fórmula para crianças já inclui o GET total, diferente da abordagem adulta (TMB × FA)? Resposta: Porque as DRIs para crianças fornecem diretamente o EER (necessidade energética estimada), que já incorpora o gasto energético total e a deposição energética. Não é necessário calcular a TMB separadamente.

4. Uma menina de 5 anos pratica natação 3×/semana e brinca ativamente no parquinho todos os dias. Seu FA seria maior ou menor que o da menina do exemplo (celular/tablet)? Resposta: Maior. A menina do exemplo (celular/tablet) foi classificada como "pouco ativa" (FA 1,16). A menina com natação + brincadeiras ativas seria pelo menos "ativa", com FA correspondentemente maior na tabela.

5. Por que é importante distinguir que A (altura) nas fórmulas pediátricas das DRIs está em metros e não em centímetros? Resposta: Porque usar centímetros em vez de metros aumentaria o resultado da fórmula em 100×, gerando um EER absurdamente alto. A unidade correta é metros - diferente da Harris-Benedict para adultos, que usa centímetros.


8. Bioimpedância Elétrica (BIA)

data/hora: 01:15:13 - 01:29:23

Slides

  • Slide 34 - Bioimpedância Elétrica (BIA): corrente elétrica de baixa intensidade atravessa o corpo; resistência (R) e reactância (Xc) estimam composição corporal. Vantagens: não invasiva, rápida, portátil, baixo custo, reprodutível. Limitações: sensível ao estado de hidratação; contraindicada em portadores de marcapasso.
  • Slide 35 - Resistência elétrica: condutor elétrico = água. Muita água → pouca resistência → maior MLG (Massa Livre de Gordura) / menor MG. Pouca água → muita resistência → menor MLG / maior MG. Músculos e tecidos têm menor resistência; gordura tem maior resistência.
  • Slide 36 - Vídeo demonstrativo: InBody 570, realizado pela professora no LIIPS (UniCesumar), janeiro de 2026.

8.1 Como Funciona a Bioimpedância

Narrativa da Aula

A professora explicou o princípio físico da BIA: uma corrente elétrica de baixa intensidade passa pelo corpo e mede a resistência dos tecidos. A água é o principal condutor elétrico, então tecidos com mais água (músculo) oferecem menos resistência, enquanto a gordura - que tem pouca água - oferece mais resistência.

"Se eu tenho muita água nesse corpo, eu tenho muita corrente elétrica passando, e aí é um paciente que pode aparentar ter mais massa livre de gordura."

O problema é que pacientes retidos (edema) também têm muita água corporal, o que pode falsamente indicar maior massa muscular na bioimpedância.

A professora demonstrou com um caso real: fez três bioimpedâncias no mesmo dia com a InBody 570 (aparelho de ~R$150.000 no LIIPS/UniCesumar):

  • Duas às 7h da manhã (uma com a idade errada, outra correta) - resultados diferentes.
  • Uma no final do dia (após treino, alimentação e hidratação) - diferença maior ainda.

"Percebem que protocolos são muito importantes no caso da bioimpedância."

A professora não recomenda a BIA como substituta das dobras cutâneas, mas como complemento:

"Quer ter a bio? Beleza, bacana. Faça as dobras a nível comparativo. Se um dia o paciente não seguir o protocolo e não te falar, você tem lá as dobras."

Contraindicações: portadores de marcapasso ou pinos/próteses metálicas, pois o metal facilita a passagem de corrente elétrica.

Exemplos

  • InBody 570 no LIIPS/UniCesumar: três medições no mesmo dia → resultados diferentes.
  • Paciente de ~17 anos com 5 pinos no braço após acidente de moto: BIA contraindicada; foi feita por engano e mostrou diferença absurda nos resultados.
  • Analogia da tomada: assim como colocar o dedo em uma tomada com água aumenta o risco de choque (água conduz eletricidade), os metais dentro do corpo facilitam a passagem da corrente da BIA, distorcendo os resultados.

Pontos-Chave

  • BIA: corrente elétrica de baixa intensidade → mede resistência (R) e reactância (Xc) → estima composição corporal.
  • Princípio: água = condutor elétrico. Mais água → menor resistência → mais massa magra estimada.
  • Vantagens: não invasiva, rápida, portátil, relativamente acessível.
  • Limitações:
    • Sensível ao estado de hidratação (edema = falsa massa muscular).
    • Requer protocolo rigoroso (jejum, sem atividade física prévia, sem cremes corporais, etc.).
    • Contraindicada em portadores de marcapasso e implantes metálicos (pinos, próteses).
  • Dobras cutâneas (adipômetro): não exigem protocolo tão rígido, são reprodutíveis e complementam a BIA.
  • Recomendação prática: usar BIA + dobras cutâneas como método comparativo; as dobras garantem segurança se o paciente não seguir o protocolo da BIA.

Questionário da Seção 8

1. Por que a água é o elemento central no funcionamento da bioimpedância? Resposta: Porque a água é um excelente condutor elétrico. A BIA mede a resistência que os tecidos oferecem à corrente - tecidos ricos em água (músculo) conduzem melhor (menor resistência), enquanto a gordura, com pouca água, oferece maior resistência.

2. Por que um paciente com edema pode ter resultado incorreto na BIA? Resposta: Porque o edema aumenta o conteúdo de água corporal, reduzindo a resistência elétrica como se o paciente tivesse mais massa muscular. O equipamento interpretará essa água retida como massa magra, superestimando-a.

3. Por que a BIA é contraindicada em portadores de marcapasso ou pinos metálicos? Resposta: Porque metais conduzem eletricidade muito bem, interferindo na passagem da corrente elétrica e distorcendo completamente os resultados. Além disso, pode representar risco de interferência no marcapasso.

4. Por que as dobras cutâneas são mais reprodutíveis que a BIA? Resposta: Porque a medição por dobras não é afetada pelo estado de hidratação, alimentação ou outras variáveis como cremes corporais. Desde que o mesmo avaliador use a mesma técnica, os resultados são consistentes. A BIA varia muito com qualquer mudança na hidratação.

5. Qual protocolo a professora citou que deve ser seguido para uma BIA confiável? Resposta: A professora mencionou: estar em jejum adequado, não ter praticado atividade física antes, não ter usado hidratante/óleo corporal, não estar com edema e informar corretamente a idade. Qualquer desvio compromete o resultado.


9. Consequências do Desequilíbrio Energético e Softwares

data/hora: 01:21:02 - 01:30:18

Slides

  • Slide 37 - Consequências do desequilíbrio energético:
    • Kwashiorkor: deficiência predominante de proteínas (kcal ok). Sinais: edema por hipoalbuminemia, hepatomegalia, cabelos despigmentados.
    • Marasmo: deficiência global (energia e proteínas). Sinais: perda de massa muscular e gordura, sem edema, aspecto "pele e osso".
    • DEP (Desnutrição Energético-Proteica) → maior morbimortalidade hospitalar, prolonga internações e compromete a resposta imunológica → exige triagem nutricional.
  • Slide 38 - Imagem ilustrativa dos quadros clínicos.
  • Slide 39 - Estudo de caso (para resolução em casa): mulher, 58 anos, pós-op câncer colorretal, acamada, 65 kg, 162 cm, febre 38,5°C → GET ≈ 2.325 kcal/dia Valor corrigido = 2.252 kcal/dia.
  • Slides 40-42 - Questões objetivas de fixação (para resolução em casa).

9.1 Kwashiorkor, Marasmo e Softwares Nutricionais

Narrativa da Aula

A professora relembrou brevemente os dois grandes quadros de desnutrição energético-proteica (DEP), que foram mencionados em aulas anteriores:

  • Kwashiorkor: deficiência predominante de proteínas com ingestão calórica aparentemente adequada. O sinal mais característico é o edema (por hipoalbuminemia). Cabelos despigmentados e hepatomegalia também estão presentes.
  • Marasmo: deficiência global de energia e proteínas. O paciente parece "pele e osso", sem edema, com perda intensa de massa muscular e gordura.

Em ambos os casos, aplica-se o cálculo hospitalar com fator injúria, já que são pacientes tipicamente internados.

Em seguida, a professora apresentou os principais softwares de planejamento nutricional:

"Quando vocês se formarem, a gente não vai precisar fazer conta à mão. Ainda bem. Temos softwares para isso."

Softwares mencionados:

  • WebDiet - favorito pessoal da professora; atualmente em uso.
  • Outros (não nomeados individualmente): todos permitem teste gratuito; recomendam aguardar até ter aula específica para aproveitar melhor o trial.

"Tem contas para estudantes também, não sei como, quanto é, como funciona - de todos que eu usei, o WebDiet é o que eu mais gosto."

Pontos-Chave

  • Kwashiorkor: deficiência proteica com kcal aparentemente ok → edema (hipoalbuminemia), hepatomegalia, cabelos despigmentados.
  • Marasmo: deficiência global (energia + proteínas) → perda extrema de MM e gordura, aspecto "pele e osso", sem edema.
  • DEP (Desnutrição Energético-Proteica): aumenta morbimortalidade hospitalar, prolonga internação, compromete imunidade → triagem nutricional obrigatória.
  • Softwares recomendados: WebDiet (preferência da professora), outros com teste gratuito. Aguardar disciplina específica antes de usar o trial.

Questionário da Seção 9

1. Qual a principal diferença clínica entre Kwashiorkor e Marasmo? Resposta: No Kwashiorkor há deficiência predominantemente proteica com edema (por hipoalbuminemia), enquanto a ingestão calórica pode estar próxima do adequado. No Marasmo há deficiência global de energia e proteínas, com aspecto de "pele e osso" e ausência de edema.

2. Por que pacientes com Kwashiorkor ou Marasmo exigem cálculo hospitalar com fatores adicionais? Resposta: Porque são condições graves de desnutrição que geralmente implicam hospitalização, risco imunológico elevado e necessidade de reabilitação nutricional intensiva - fatores que aumentam o gasto energético acima do valor basal.

3. Por que a professora recomenda esperar por uma disciplina específica antes de usar o período trial dos softwares? Resposta: Para aproveitar ao máximo o período gratuito, que pode ser limitado em dias ou número de planos alimentares. Com o direcionamento de uma disciplina, o aluno usa o software de forma mais produtiva e aproveitando melhor o trial.

4. Quais são as vantagens de usar softwares como o WebDiet na prática clínica? Resposta: Automatizam todos os cálculos de TMB, GET, distribuição de macronutrientes e planejamento de cardápio - eliminando erros matemáticos e economizando tempo. Também permitem selecionar qual equação usar para cada perfil de paciente.

5. A triagem nutricional para DEP é importante em hospitais por quais razões? Resposta: Porque a DEP aumenta a morbimortalidade, prolonga as internações e compromete a resposta imunológica do paciente. Identificar precocemente o risco nutricional permite intervenção antes que o quadro se agrave.


Perguntas e Respostas da Audiência (Chat)

Aluno(a) Pergunta Resposta da Professora
Tarcila Dá para baixar o TACO? Sim (a professora confirmou).
Amanda Já comprou o TACO (impresso). A professora disse que também prefere material impresso.
Amanda O valor de 0,8 g/kg de proteína é para sedentários? É uma recomendação geral para qualquer pessoa viva, independentemente de atividade física. Pode alterar em casos de hemodiálise, estado nutricional grave, etc. Para atletas, o valor sobe (ex.: 1,8 g/kg), mas isso é visto em Nutrição Esportiva.
Ana Paula Qual equação usar? (pergunta geral sobre escolha de fórmula) Depende do perfil do paciente. De forma geral, Harris-Benedict funciona muito bem para a população. Para perfil atlético, outra fórmula (vista em Avaliação Nutricional). Os softwares permitem selecionar a equação.
Hélio Qual a diferença entre peso atual, ideal e ajustado? Cada peso tem uma finalidade específica. Em pacientes obesos usa-se o peso ajustado (não o atual nem o ideal isoladamente). Isso será aprofundado em Avaliação Nutricional.
Laí Para uma pessoa emagrecer, tem que consumir menos que a TMB? Cientificamente, há consenso de que não se deve ofertar menos que a TMB. Abaixo disso, o paciente não tem energia suficiente para viver. Ajustes para emagrecimento consideram atividade física, sono, exames bioquímicos e outras variáveis.
Running (Fernanda) Quem treina em casa regularmente deve ser considerado levemente ativo? Depende: de como é o treino, do tempo de duração, do que mais o paciente faz no dia. Uma sessão de yoga intenso ≠ uma sessão de yoga relaxante. A anamnese precisa capturar tudo isso.
Aluno(a) não identificado(a) Posso usar bioimpedância e dobras cutâneas simultaneamente, mesmo que os valores sejam próximos mas diferentes? Sim, é uma estratégia interessante. As dobras são mais reprodutíveis e servem como "seguro" caso o paciente não siga o protocolo da BIA. A BIA é muito comercial e pode atrair pacientes. A recomendação é usar ambas como métodos comparativos.
Ana Paula (sobre BIA) É precisa? Depende: se o paciente seguiu o protocolo rigoroso, se não tem marcapasso/pinos, se não está retido. A precisão varia muito com a hidratação e outros fatores.

Destaques da Aula

  1. "Dos alimentos farás a tua medicina." - Hipócrates, 500 a.C. (frase de abertura da aula).

  2. "Se a base não tá bem construída, a gente pode gastar milhões em suplementos, mas aquela base precisa ser bem construída." - O suplemento é a cerejinha do bolo, não a base.

  3. "Por que que no frio a gente sente mais fome? A gente tá perdendo calor pro ambiente. Então a gente precisa produzir energia para manter a nossa temperatura corporal."

  4. "Nesse momento, meu cérebro tá pensando, meu coração tá batendo, meu intestino tá funcionando, meu pulmão tá inflando - isso gasta muita energia." - A TMB é o maior componente do GET (60-75%).

  5. "Ou seja, a todo instante, gastamos energia." (Slide 16 - frase de destaque da aula).

  6. "Na prática clínica vocês sempre vão ouvir falar TMB, TMB, TMB - ainda que as condições não sejam tão controladas quanto a TMB estrita."

  7. "Lembrem como funciona a matemática básica: primeiro dentro dos parênteses, depois multiplicação e divisão, depois soma e subtração." - Erro na ordem das operações invalida o cálculo.

  8. "60 g de proteína é diferente de 60 g de um bife ou frango." - Gramas de proteína ≠ gramas de alimento proteico.

  9. "Você não pode querer que um paciente de 130 kg chegue no peso ideal de 75 kg - usa-se o peso ajustado." - Individualização do peso nas fórmulas.

  10. "Cientificamente há um consenso: a gente não vai ofertar menos que a taxa metabólica basal desse paciente." - TMB como piso energético na prescrição.

  11. "Percebam que protocolos são muito importantes no caso da bioimpedância." - Pequenas variações (hora do dia, hidratação, idade informada) alteram os resultados da BIA.

  12. "A anamnese bem feita é a salvação do profissional." - Repetida múltiplas vezes ao longo da aula; o profissional precisa conhecer profundamente o paciente para qualquer prescrição.

  13. "Depende." - A resposta mais comum em nutrição. Enfatizada pela professora como a resposta correta para 90% das perguntas sobre prescrição.


Lista de Títulos de Seção

1. Por Que Comemos? Energia e Metabolismo

2. Macronutrientes como Fontes de Energia e a Distribuição no VCT

3. Evolução Histórica da Calorimetria

4. Componentes do Gasto Energético Total (GET)

5. Equações de Predição da TMB

6. Fatores de Ajuste para o GET - Pacientes Hospitalizados

7. Necessidades Energéticas de Crianças e Adolescentes

8. Bioimpedância Elétrica (BIA)

9. Consequências do Desequilíbrio Energético e Softwares


Glossário

Nº Termo Sinônimo / Apelido Definição
1 WebDiet - Software de planejamento nutricional preferido pela professora; disponível para profissionais e estudantes com planos e testes gratuitos.
2 Álcool Etílico Etanol Composto não nutriente que fornece 7 kcal/g; absorvido no estômago e metabolizado prioritariamente pelo fígado.
3 Anamnese - Primeira consulta nutricional detalhada onde se coleta todas as informações do paciente (rotina, saúde, atividade física, hábitos alimentares, etc.).
4 Atwater & Rosa - Cientistas que, em 1899, realizaram estudos completos de calorimetria e estabeleceram que o consumo de kcal equivale ao calor liberado mais energia de trabalho.
5 BIA Bioimpedância, Bio Bioimpedância Elétrica - método de avaliação da composição corporal por passagem de corrente elétrica de baixa intensidade pelo corpo.
6 Carboidratos CHO Macronutriente com 4 kcal/g; principal fonte de energia para cérebro e músculos; deve compor 50-60% do VCT.
7 DE Deposição de Energia Energia adicional necessária para o crescimento tecidual em crianças e adolescentes; incluída no cálculo do EER pelas DRIs.
8 DEP Desnutrição Energético-Proteica Quadro clínico de deficiência grave de energia e/ou proteínas; inclui Kwashiorkor e Marasmo; aumenta morbimortalidade hospitalar.
9 DRIs Dietary Reference Intakes Valores de referência de ingestão de macro e micronutrientes publicados pelo Institute of Medicine (EUA), utilizados como base para recomendações nutricionais.
10 EER Estimated Energy Requirement Necessidade Energética Estimada - fórmula das DRIs para crianças e adolescentes que já inclui o GET total + deposição de energia para crescimento.
11 ETA Efeito Térmico dos Alimentos Energia gasta pelo organismo nos processos de digestão, absorção, transporte, metabolismo e excreção dos nutrientes ingeridos (~10% do GET em dieta mista).
12 FA Fator Atividade, GEAF Fator multiplicador da TMB para ajustar o GET ao nível de atividade física do paciente (sedentário: 1,2 a muito ativo: 1,9).
13 FAO/OMS/UNU - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura / Organização Mundial da Saúde / Universidade das Nações Unidas - publicaram equações de predição do GER por faixa etária (1985).
14 FI Fator Injúria Fator multiplicador da TMB para pacientes hospitalizados com trauma, cirurgia, infecção ou queimaduras (Long et al., 1979). Varia de 1,0 a 2,1.
15 FT Fator Térmico Fator multiplicador da TMB para pacientes com febre; cada grau acima de 37°C aumenta o GER em ~10-13%.
16 GER Gasto Energético de Repouso Energia gasta em condições de repouso pós-absortivo (3-4h após refeição); versão clínica da TMB; representa 60-75% do GET.
17 GET Gasto Energético Total, VCT, VET Energia total necessária ao organismo no dia, somando GER/TMB + ETA + GEAF, ajustada pelos fatores adicionais quando aplicável.
18 Harris & Benedict Harris-Benedict Cientistas que, em 1919, publicaram as primeiras equações preditivas da TMB - as mais utilizadas na prática clínica atual.
19 InBody 570 InBody Modelo de bioimpedância elétrica presente no LIIPS da UniCesumar, demonstrado pela professora em vídeo.
20 Kwashiorkor - Desnutrição por deficiência predominantemente proteica com ingestão calórica aparentemente adequada; sinais: edema (hipoalbuminemia), hepatomegalia, cabelos despigmentados.
21 Lavoisier & Laplace - Cientistas que, em 1780, descobriram que a respiração é uma forma de combustão e construíram o primeiro calorímetro indireto.
22 LIIPS - Laboratório de Inovação e Pesquisa em Saúde da UniCesumar, onde a professora fez a demonstração da BIA InBody 570.
23 Lipídios Gorduras Macronutriente com 9 kcal/g; maior densidade energética; funções hormonais e de reserva; deve compor 25-30% do VCT (máx. 10% saturados).
24 Long et al. (1979) - Referência científica que tabulou os fatores de injúria (FI) para uso em terapia nutricional hospitalar.
25 Marasmo - Desnutrição por deficiência global de energia e proteínas; aspecto "pele e osso", sem edema, com perda intensa de massa muscular e gordura.
26 MET Equivalente Metabólico Unidade que expressa o gasto energético de uma atividade física; 1 MET = 3,5 mL O₂/kg/min; usado em Nutrição Esportiva e Avaliação Nutricional.
27 Mifflin-St Jeor - Equação de predição do GER publicada em 1990; mais precisa para adultos com peso normal e sobrepeso que Harris-Benedict (AND, 2005).
28 MLG Massa Livre de Gordura, Massa Magra Componente corporal que inclui músculo, osso, água e órgãos - excluindo a gordura.
29 MG Massa Gorda Componente de gordura corporal total medido pela BIA ou adipômetro.
30 NEAT Non-Exercise Activity Thermogenesis Termogênese da atividade sem exercício - energia gasta com movimentos espontâneos do cotidiano não relacionados a exercícios programados (ex.: caminhar, gesticular, fazer tarefas domésticas).
31 Paviani e Pereira (2023) - Livro-texto da disciplina de Nutrição Humana (UniCesumar) usado como referência para as tabelas de FA para hospitalizados (p. 112), FA para crianças/adolescentes (p. 114) e outras tabelas.
32 Programa Ampliar - Programa de monitoria gratuita da UniCesumar; inclui monitoria de matemática básica; disponível na sala do café.
33 Proteínas PTN Macronutriente com 4 kcal/g; função estrutural prioritária; maior efeito térmico (20-30%); recomendação de 0,8-1 g/kg/dia para adultos; 15-20% do VCT.
34 Sanctorius - Cientista que, em 1614, criou a balança metabólica e realizou o primeiro estudo de metabolismo humano ao medir variações de peso corporal em relação à alimentação e excreção.
35 TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos - mencionada pelos alunos no chat como recurso de consulta para composição nutricional dos alimentos.
36 TEE Total Energy Expenditure Gasto energético total; equivalente ao GET; usado nas fórmulas pediátricas das DRIs.
37 TMB Taxa Metabólica Basal Energia mínima para manutenção das funções vitais em condições basais estritas (jejum 12h, repouso absoluto, temperatura neutra, acordado). Na prática clínica, usada como sinônimo de GER.
38 VCT Valor Calórico Total, VET, GET Ver GET. Todas as siglas representam a mesma coisa: o total de energia necessário no dia.
39 VET Valor Energético Total, VCT, GET Ver GET.

🌐 link oficial: sergiolima.short.gy/unicesumar