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Aula 08 - Patologias Associadas às Deficiências Nutricionais e Obesidade
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Resumo Sucinto
- Oitava aula da disciplina de Patologia Geral (Unidade 8 do material referência), ministrada pela profa. Luana Magri Tunin, com mediação de Jéssica Bonato.
- Tema central: patologias associadas às deficiências nutricionais, abrangendo desnutrição primária e secundária, transtornos alimentares, obesidade e suas complicações metabólicas, e deficiências/excessos de vitaminas.
- O metabolismo energético humano depende da oxirredução de carboidratos (55% da necessidade calórica diária), gorduras/ácidos graxos (35%) e proteínas/aminoácidos essenciais (10%), com vitaminas e água atuando como cofatores desse processo.
- As deficiências nutricionais se dividem em primárias (falta direta de um ou mais componentes essenciais da dieta) e secundárias (resultantes de aumento da demanda, excreção aumentada, interferência na absorção, na função tecidual ou na ingestão).
- Foram discutidos os transtornos alimentares (anorexia e bulimia nervosa) como causas de desnutrição secundária ou, em casos graves, primária.
- A obesidade foi tratada como problema de saúde pública, decorrente de um balanço energético positivo (ingestão > gasto), explicada pela patogênese dos adipócitos, resistência à leptina e secreção de moléculas pró-inflamatórias.
- Foram detalhadas as principais alterações metabólicas associadas à obesidade: hiperinsulinemia, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão e aterosclerose.
- A desnutrição proteico-energética grave foi exemplificada pelo marasmo e pelo kwashiorkor, com critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS).
- Foram revisadas as vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) e hidrossolúveis (complexo B, C, biotina, colina), suas funções e síndromes de deficiência, com destaque para vitamina A, D e C.
- Na sessão de perguntas, a professora respondeu dúvidas sobre dosagem de vitaminas, excesso de suplementação, absorção intestinal, o hormônio grelina versus leptina, aterosclerose em pessoas não obesas, o efeito das "canetas emagrecedoras" (análogos de GLP-1) no equilíbrio nutricional e na sarcopenia, e a relação entre vesícula biliar e absorção de vitaminas.
Introdução e Contexto
- Professora: Luana Magri Tunin, Doutora em Ciências Farmacêuticas.
- Mediadora/Tutora: Jéssica Bonato.
- Data da aula: 09/09/2026 (quarta-feira, conforme referência de "quarta que vem" para a próxima aula).
- Formato: Aula síncrona ao vivo (transmitida também via YouTube).
- Instituição: UniCesumar.
- Disciplina: Patologia Geral.
- Curso: Turma multiprofissional da área da saúde (com forte presença de alunos de Nutrição).
- Unidade do material didático: Unidade 8 — "Patologias Associadas às Deficiências Nutricionais" (dentro da trilha "Caminhos de Aprendizagem" que também inclui: 1. Introdução à Patologia; 2. Lesão Celular Reversível; 3. Acúmulos, Degenerações e Pigmentos Intracelulares; 4. Mecanismos de Morte Celular e Calcificações; 5. Adaptações Celulares e Envelhecimento; 6. Inflamação, Reparo e Remodelagem Tecidual; 7. Distúrbios Hemodinâmicos; 8. Patologias Associadas às Deficiências Nutricionais; 9. Caracterização das Neoplasias e Patologias Associadas ao Sistema Endócrino).
- Duração aproximada da aula: da abertura (00:00:22) ao encerramento (01:29:10), totalizando cerca de 1h29min, sendo aproximadamente os primeiros 3 minutos de avisos administrativos, ~1h08min de conteúdo teórico e ~17min de perguntas e respostas.
- Avisos administrativos (dados por Jéssica no início da aula):
- Na semana seguinte ocorrerá a última aula da disciplina de Patologia Geral.
- Não há atividades a entregar nesta semana específica (E1 e semana de conhecimentos gerais já foram entregues).
- Alunos que ainda não realizaram as atividades de Estudo 2, Estudo 3 e o Mapa devem se programar, pois a entrega será na semana seguinte, concomitante ao agendamento de prova (que pode ser feito a partir de segunda-feira na avaliação digital).
- Divulgação da "Jornada Interdisciplinar de Saúde e Bem-Estar": evento de três dias, gratuito, com palestras voltadas a todos os cursos da área da saúde, com direito a certificado (horas complementares); inscrição recomendada.
- Perguntas sobre simulado e sobre a Jornada devem ser enviadas ao canal "Fale com o Mediador", para manter o chat da aula focado no conteúdo da professora.
- Alunos citados nominalmente durante a aula: Isabela, Mari, Marcelo, Eliane, Lari (ou Laris), Gabriela, Sidney, Simone (todos identificados pela mediadora Jéssica Bonato ao repassar perguntas do chat).
- Observações sobre o formato das perguntas: as perguntas foram recolhidas do chat ao vivo pela mediadora Jéssica e repassadas verbalmente à professora ao final da aula, que respondeu uma a uma.
- Bibliografia indicada (slide 31):
- KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins & Kumar Patologia Básica. 11. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2025.
- FILHO, Geraldo B. Bogliolo — Patologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
1. Introdução à Unidade 8: Patologias Nutricionais e Metas de Aprendizagem
data/hora: 00:04:00 – 00:08:16
Slides
- Slide 1: Slide de transição/capa da unidade — "Patologia Nutricional e Obesidade" (chamada "Aonde você quer chegar? Vai com a...").
- Slide 2: Slide de abertura do conteúdo — "Patologias Associadas às Deficiências Nutricionais", com identificação da professora Luana Magri Tunin, Doutora em Ciências Farmacêuticas.
- Slide 3: "Metas de aprendizagem" — lista com três objetivos: (1) compreender os mecanismos fisiopatológicos das doenças nutricionais, incluindo desnutrição primária e secundária e excesso de nutrientes (obesidade); (2) reconhecer os quadros clínicos das principais síndromes nutricionais; (3) analisar o impacto de deficiências e excessos vitamínicos (vitamina A e D), entendendo manifestações clínicas, complicações patológicas e importância na homeostase.
- Slide 4: "Caminhos de aprendizagem" — mapa visual com as nove unidades da disciplina, destacando em círculo a Unidade 8 ("193 — Patologias Associadas às Deficiências Nutricionais").
1.1 Apresentação do Tema e Objetivos da Unidade
Narrativa da Aula
A professora Luana abriu a aula explicando que a Unidade 8 trata de um tema "bem relevante para os nossos dias atuais": as patologias associadas às deficiências nutricionais. Ela destacou logo de início que se trata de um tema amplo e complexo, e que, por a turma ser multiprofissional, os slides seguem principalmente a sequência do livro-texto de referência da UniCesumar, sem esgotar toda a extensão do assunto.
"Gostaria de reforçar para vocês que aqui o conteúdo que tá no meu material, né, nos meus slides, ele tá abordando principalmente uma sequência que aborda no livro de vocês, mas o tema é muito mais amplo do que isso."
Ela recomendou que os alunos, especialmente os de cursos com maior relação com o tema (como Nutrição), busquem leituras complementares em outras referências para sanar curiosidades específicas da sua formação. Como exemplo da amplitude do tema, citou que só a obesidade, isoladamente, já poderia ocupar uma aula inteira, dada a complexidade das patologias associadas a ela.
Em seguida, apresentou o objetivo principal da unidade: compreender os principais mecanismos fisiopatológicos das doenças nutricionais, incluindo desnutrição primária e secundária e excesso de nutrientes (obesidade); reconhecer os quadros clínicos das principais síndromes nutricionais; e analisar o impacto de deficiências e excessos vitamínicos — com destaque para vitamina A e D — entendendo suas manifestações clínicas, complicações patológicas e importância na manutenção da homeostase.
Pontos-Chave
- Tema da unidade: patologias associadas às deficiências nutricionais — tema amplo e complexo, tratado de forma introdutória por se tratar de turma multiprofissional.
- Recomendação da professora: buscar leituras complementares conforme a necessidade/curiosidade de cada curso.
- Exemplo de amplitude: só a obesidade já demandaria uma aula inteira, dada sua relação com múltiplas outras patologias.
- Três metas de aprendizagem da unidade:
- Compreender mecanismos fisiopatológicos das doenças nutricionais (desnutrição primária, secundária e excesso de nutrientes/obesidade).
- Reconhecer quadros clínicos das principais síndromes nutricionais.
- Analisar impacto de deficiências e excessos vitamínicos (vitamina A e D), suas manifestações clínicas, complicações e papel na homeostase.
Questionário da Seção
- Por que a professora reforça que o tema da Unidade 8 é "amplo e complexo"? Porque as patologias nutricionais (como a obesidade) têm múltiplos fatores e desdobramentos que não caberiam em uma única aula; o material segue a sequência do livro-texto, mas não esgota o assunto. Analogia: é como estudar apenas o "resumo de um livro grosso" — o essencial está lá, mas há muito mais para quem quiser se aprofundar.
- Qual é a primeira meta de aprendizagem da unidade? Compreender os principais mecanismos fisiopatológicos das doenças nutricionais, incluindo desnutrição primária e secundária e excesso de nutrientes (obesidade).
- Quais vitaminas são citadas como foco específico de uma das metas de aprendizagem? Vitamina A e vitamina D.
- Por que a professora recomenda leituras complementares aos alunos de Nutrição especificamente? Porque o conteúdo apresentado segue a sequência do livro-texto de Patologia (turma multiprofissional), mas o curso de Nutrição pode demandar aprofundamento maior e mais específico sobre o tema.
- O que a Unidade 8 representa dentro da trilha "Caminhos de Aprendizagem" da disciplina? É a oitava de nove unidades, posicionada entre "Distúrbios Hemodinâmicos" (Unidade 7) e "Caracterização das Neoplasias e Patologias Associadas ao Sistema Endócrino" (Unidade 9). Analogia: como um capítulo específico dentro do roteiro completo de um curso — cada unidade constrói sobre a anterior.
2. Nutrientes para o Metabolismo Humano
data/hora: 00:08:16 – 00:16:14
Slides
- Slide 5: "Nutrientes para o Metabolismo Humano" — texto: o metabolismo energético humano depende basicamente da disponibilidade de energia resultante de reações de oxirredução dos carboidratos, gorduras e proteínas; vitaminas e água auxiliam no processo de obtenção de energia.
- Slide 6: Infográfico "Fundamentos Nutricionais para o Metabolismo Humano", com gráfico de rosca (donut) mostrando a "Distribuição da Necessidade Calórica Diária": Carboidratos 55% (células vermelhas e cérebro), Gorduras e Ácidos Graxos 35% (ingestão diária), Proteínas/Aminoácidos essenciais 10%. Ao lado, o "Guia de Nutrientes e Componentes Essenciais", listando aminoácidos essenciais, vitaminas (lipossolúveis e hidrossolúveis), minerais/oligoelementos e fibras/água.
2.1 Macronutrientes, Micronutrientes e a Regra do Equilíbrio
Narrativa da Aula
A professora explicou que, quando se pensa em nutrientes para o organismo — sejam minerais essenciais, vitaminas ou os nutrientes primários (carboidratos, proteínas e lipídios) — o parâmetro central é sempre o mesmo: tudo funciona bem em equilíbrio.
"Como tudo para o metabolismo humano, o grande segredo é o equilíbrio."
Ela detalhou que os macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) e os micronutrientes (vitaminas e minerais) têm cada um sua quantidade mínima diária conhecida, importante para o metabolismo humano. Tanto a ingestão abaixo quanto acima do considerado normal interferem negativamente no metabolismo e desequilibram a homeostase — a professora usou a imagem de uma "balancinha" para ilustrar esse equilíbrio.
Em seguida, explicou o mecanismo bioquímico: o metabolismo energético humano depende da energia resultante de reações de oxirredução dos carboidratos, gorduras e proteínas obtidos pela alimentação. Essas macromoléculas são metabolizadas (quebradas em estruturas menores) nas células, fornecendo substrato para as reações de oxirredução que geram energia. As vitaminas e a água auxiliam nesse processo, atuando muitas vezes como cofatores das reações bioquímicas de oxirredução.
A professora apresentou então a distribuição da necessidade calórica diária (slide 6): cerca de 55% proveniente dos carboidratos — fonte primária de energia, especialmente relevante para células vermelhas do sangue e células cerebrais, que demandam grande atividade; 35% proveniente de gorduras e ácidos graxos; e 10% proveniente das proteínas/aminoácidos essenciais.
Ela destacou também a ordem de prioridade que o organismo segue para buscar energia: primeiro os carboidratos, depois os lipídios e, somente quando realmente necessário, as proteínas.
"A primeira fonte energética que o nosso organismo vai buscar é principalmente pelos carboidratos, depois nos lipídios e por fim, quando realmente necessário, vai tirar a energia das proteínas."
Exemplos
- Exemplo dos tipos celulares que mais demandam energia proveniente dos carboidratos: células vermelhas do sangue e células cerebrais, por terem intensa atividade metabólica.
- Exemplo da hierarquia de uso de substrato energético pelo organismo: primeiro carboidratos → depois lipídios → por último proteínas (quando as duas primeiras fontes não são suficientes).
Pontos-Chave
- Princípio central do metabolismo de nutrientes: o equilíbrio (nem excesso, nem deficiência).
- Macronutrientes: carboidratos, proteínas e lipídios — constituem os alimentos e são necessários ao metabolismo.
- Micronutrientes: vitaminas e minerais — essenciais em pequenas quantidades.
- Papel de vitaminas e minerais: muitas vezes atuam como cofatores nas reações de oxirredução que geram energia celular.
- Distribuição da necessidade calórica diária:
| Macronutriente | % da necessidade calórica diária | Observação |
|---|---|---|
| Carboidratos | 55% | Fonte primária de energia; essencial para células vermelhas e cérebro |
| Gorduras/ácidos graxos | 35% | Segunda fonte energética em ordem de utilização |
| Proteínas/aminoácidos essenciais | 10% | Utilizada como fonte de energia apenas quando necessário |
- Ordem de utilização de substrato energético pelo organismo: carboidratos → lipídios → proteínas.
- Consequência do desequilíbrio: ingestão abaixo do necessário gera deficiências; ingestão acima do necessário também interfere negativamente no metabolismo.
Questionário da Seção
- Qual é o "grande segredo" do metabolismo humano, segundo a professora? O equilíbrio — tanto o excesso quanto a falta de macro e micronutrientes prejudicam o metabolismo. Analogia: como uma balança que só funciona corretamente quando os dois pratos estão nivelados.
- Qual a distribuição percentual recomendada da necessidade calórica diária entre carboidratos, gorduras e proteínas? 55% carboidratos, 35% gorduras/ácidos graxos, 10% proteínas/aminoácidos essenciais.
- Qual é a ordem de prioridade que o organismo usa para obter energia dos macronutrientes? Primeiro carboidratos, depois lipídios, e só por último proteínas, quando realmente necessário.
- Que papel as vitaminas desempenham nas reações de produção de energia celular? Atuam frequentemente como cofatores nas reações de oxirredução, auxiliando a produção de energia, sem serem elas mesmas a fonte primária de energia.
- Por que células vermelhas do sangue e células cerebrais dependem tanto dos carboidratos? Porque são estruturas/tecidos de intensa atividade metabólica, que demandam grande quantidade de energia rapidamente disponível — e os carboidratos são a fonte energética mais imediata do organismo. Analogia: são como "motores de alta rotação" que precisam de combustível de queima rápida.
3. Classificação das Deficiências Nutricionais: Primária e Secundária
data/hora: 00:16:14 – 00:34:22
Slides
- Slide 7: "Doenças Associadas à Deficiências Nutricionais" — apresenta as duas classificações: deficiência primária (falta de um ou mais componentes essenciais da dieta: carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais) e deficiência secundária (resultante da associação de vários fatores: aumento da demanda nutricional, excreção aumentada, interferência na absorção, interferência na função tecidual e interferência na ingestão).
- Slide 8: "Aumento da demanda nutricional" — imagens ilustrativas de gestante e lactação.
- Slide 9: "Excreção aumentada" — imagem ilustrativa de hipermotilidade intestinal associada à diarreia.
- Slide 10: "Interferência na ingestão" — imagem ilustrativa relacionada à anorexia.
3.1 Deficiência Primária
Narrativa da Aula
A professora explicou que a deficiência primária ocorre quando há falta de um ou mais dos componentes essenciais da dieta — carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais. Ela contextualizou que qualquer pessoa, em algum momento, ao não fazer boas escolhas alimentares ou não ingerir as quantidades ideais, pode incorrer nesse tipo de deficiência. Também citou o caso de populações sem acesso a alimentos em quantidade adequada, por condições socioeconômicas ou sanitárias de subdesenvolvimento regional ou de um país inteiro — populações que não conseguem consumir quantidade adequada de proteínas, gorduras e carboidratos.
A professora fez uma reflexão sobre a relação cultural com a alimentação, destacando que a função primária do alimento é fornecer nutrientes, mas que culturalmente a comida é associada a prazer, saciedade e bem-estar.
"Quando a gente pensa em alimento e nutrição... a primeira coisa que a gente tem que associar o alimento é com a sua função nutricional."
Ela reforçou que o ideal é conciliar essa sensação de bem-estar com a real função nutricional dos alimentos escolhidos, mas destacou que, em diversas regiões do mundo (inclusive em algumas populações menos comuns na realidade brasileira), a deficiência primária ainda é uma realidade presente.
Exemplos
- Exemplo de deficiência primária por escolhas alimentares cotidianas: quando a pessoa não ingere as quantidades ideais de macro e micronutrientes por hábito alimentar.
- Exemplo de deficiência primária por fatores socioeconômicos: populações de regiões subdesenvolvidas sem acesso a quantidades adequadas de proteína, gordura e carboidrato.
Pontos-Chave
- Definição: deficiência de um ou mais componentes essenciais da dieta (carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais).
- Causas típicas:
- Más escolhas alimentares/hábitos alimentares inadequados.
- Falta de acesso a alimentos por condições socioeconômicas ou sanitárias (subdesenvolvimento regional/nacional).
- Reflexão cultural: a alimentação é culturalmente associada a prazer e bem-estar, mas sua função fisiológica primária é fornecer nutrientes às células.
3.2 Deficiência Secundária e seus Fatores Desencadeantes
Narrativa da Aula
A deficiência secundária, segundo a professora, é resultante da associação de vários fatores — que podem ser momentâneos (situacionais) ou patológicos. Ela apresentou cada um desses fatores, sempre reforçando que a presença da condição não implica obrigatoriamente no desenvolvimento da deficiência secundária, pois isso depende muito da rotina alimentar do indivíduo.
Aumento da demanda nutricional: associado ao consumo aumentado de moléculas em casos de febre, gestação, hipertireoidismo e lactação (slide 8). A professora simulou uma pergunta de aluno sobre o tema:
Pergunta simulada: "Todas as gestantes, todas as mulheres em período de lactação vão desenvolver uma deficiência secundária?" Resposta da professora: "Não. Isso vai depender muito da rotina alimentar daquele indivíduo, o quanto nutricionalmente ele está se preparando... e se alimentando da maneira correta para aquele momento."
Excreção aumentada: associada à drástica redução de moléculas, especialmente durante lactação, poliúria (micção excessiva) e transpiração (slide 9). A professora reforçou que, se a pessoa mantém rotina nutricional adequada — com boa ingestão de água e eletrólitos — não desenvolverá necessariamente a deficiência secundária.
Interferência na absorção: associada ao desenvolvimento de doenças biliares, à acloridria e à hipermotilidade intestinal. A professora abriu um parêntese para explicar a acloridria, que não constava explicitamente no material:
"A cloridria é quando o paciente deixa, por exemplo, de secretar em condições adequadas o ácido clorídrico, que é responsável pela acidez estomacal, pelo início dos processos digestórios."
Ela detalhou que, na acloridria, o pH estomacal fica menos ácido do que o ideal, prejudicando a absorção de minerais como ferro e cálcio, que dependem da acidez gástrica para serem bem absorvidos.
Interferência na função tecidual: ocorre em casos de tumores/neoplasias (como câncer), hipotireoidismo e outras malignidades, que alteram a demanda nutricional por conta da atividade do tecido afetado.
Interferência na ingestão: associada à alergia alimentar, gestação, síndrome de má absorção, anorexia, distúrbios gastrointestinais, alcoolismo crônico e doenças neuropsiquiátricas (slide 10). A professora citou a anorexia como exemplo de interferência na ingestão por motivos psíquicos, quando o paciente não consegue se alimentar adequadamente por acreditar que está consumindo em excesso quando na verdade não está.
Exemplos
- Aumento da demanda nutricional: febre, gestação, hipertireoidismo, lactação.
- Excreção aumentada: lactação, poliúria (micção excessiva), transpiração excessiva.
- Interferência na absorção: doenças biliares, acloridria (queda na produção de ácido clorídrico gástrico, prejudicando absorção de ferro e cálcio), hipermotilidade intestinal associada a diarreia.
- Interferência na função tecidual: tumores/neoplasias, hipotireoidismo, malignidades.
- Interferência na ingestão: alergia alimentar, gestação, síndrome da má absorção, anorexia, distúrbios gastrointestinais, alcoolismo crônico, doenças neuropsiquiátricas.
Pontos-Chave
- Definição: deficiência secundária resulta da associação de vários fatores momentâneos ou patológicos, não da simples falta de ingestão do nutriente.
- Cinco fatores desencadeantes principais:
| Fator | Exemplos citados |
|---|---|
| Aumento da demanda nutricional | Febre, gestação, hipertireoidismo, lactação |
| Excreção aumentada | Lactação, poliúria, transpiração |
| Interferência na absorção | Doenças biliares, acloridria, hipermotilidade intestinal |
| Interferência na função tecidual | Tumores/neoplasias, hipotireoidismo, malignidades |
| Interferência na ingestão | Alergia alimentar, gestação, má absorção, anorexia, distúrbios GI, alcoolismo crônico, doenças neuropsiquiátricas |
- Ponto de atenção reforçado pela professora: a presença de um fator de risco (ex.: gestação, hipertireoidismo) não implica obrigatoriamente no desenvolvimento da deficiência secundária — depende da adequação da rotina alimentar do indivíduo.
- Acloridria: redução da secreção de ácido clorídrico gástrico → elevação do pH estomacal → prejuízo na absorção de ferro e cálcio, que dependem de meio ácido.
Questionário da Seção
- Qual a diferença fundamental entre deficiência nutricional primária e secundária? A primária é a falta direta de um ou mais componentes essenciais da dieta (carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais); a secundária é resultante da associação de outros fatores (aumento de demanda, excreção aumentada, interferência na absorção, na função tecidual ou na ingestão) que impedem o aproveitamento adequado dos nutrientes. Analogia: a primária é "não colocar combustível suficiente no tanque"; a secundária é "colocar o combustível, mas o motor não conseguir aproveitá-lo direito".
- Por que nem toda gestante ou lactante desenvolve deficiência nutricional secundária? Porque o desenvolvimento da deficiência depende da rotina alimentar do indivíduo — se a demanda nutricional aumentada for suprida com ingestão e, se necessário, suplementação adequadas, a deficiência não se instala.
- O que é acloridria e como ela interfere na absorção de nutrientes? É a redução da secreção adequada de ácido clorídrico no estômago, elevando o pH gástrico; isso prejudica a absorção de minerais como ferro e cálcio, que dependem de um meio ácido para serem bem absorvidos.
- Cite dois exemplos de condições que causam deficiência secundária por "interferência na função tecidual". Tumores/neoplasias (câncer) e hipotireoidismo.
- De que forma a anorexia se relaciona com a "interferência na ingestão"? Na anorexia, por motivos psíquicos, o paciente não consegue se alimentar adequadamente, pois tem a percepção distorcida de estar consumindo alimento em excesso quando, na realidade, não está — reduzindo a ingestão de nutrientes.
4. Transtornos Alimentares: Anorexia e Bulimia Nervosa
data/hora: 00:34:22 – 00:38:19
Slides
- Slide 11: "Transtornos alimentares" (slide de curiosidade, fora do material didático padrão) — Anorexia nervosa: restrição alimentar severa, medo de ganhar peso; Bulimia nervosa: compulsão alimentar seguida de vômitos/laxantes; Alterações graves: desequilíbrios eletrolíticos, arritmias, osteoporose.
4.1 Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa como Causas de Desnutrição
Narrativa da Aula
A professora deixou claro que esse slide não fazia parte do material didático oficial, mas foi incluído por curiosidade, já que havia citado a anorexia como exemplo de interferência na ingestão.
"Como eu disse para vocês, essas patologias relacionadas à nutrição é algo muito amplo... eu trouxe, deixei esse slide por curiosidade, já que eu citei ali a anorexia."
Ela explicou que, embora o fundo desses transtornos seja majoritariamente neurológico/psíquico (fora da área de especialidade da professora), eles podem desencadear desnutrição secundária e, em casos muito severos, até desnutrição primária, pois o paciente deixa de ingerir adequadamente todos os tipos de nutrientes.
Na anorexia nervosa, há restrição alimentar severa motivada pelo medo de ganhar peso; o portador do transtorno frequentemente não consegue perceber que está abaixo do peso ideal, sempre considerando que está acima, o que reforça a restrição.
Na bulimia nervosa, a característica principal é a compulsão alimentar: a pessoa ingere quantidade de alimento muito acima do necessário e, motivada pelo medo de ganhar peso e pela consciência do excesso ingerido, provoca vômitos ou usa laxantes em excesso para "acelerar a digestão".
A professora destacou as complicações graves da bulimia decorrentes do uso excessivo de laxantes e da indução de vômitos:
"Isso pode gerar alterações graves, certo, provocadas pelo uso excessivo de laxante, pelos vômitos: desequilíbrios eletrolíticos, arritmias e osteoporose."
Exemplos
- Exemplo de anorexia nervosa: paciente com percepção distorcida do próprio peso, que restringe severamente a alimentação por medo de engordar, mesmo estando abaixo do peso.
- Exemplo de bulimia nervosa: paciente que ingere quantidade excessiva de alimento e, em seguida, induz vômitos ou usa laxantes para compensar.
Pontos-Chave
- Origem dos transtornos alimentares: predominantemente neurológica/psíquica (fora do escopo direto da patologia geral, mas com repercussões nutricionais importantes).
- Anorexia nervosa:
- Restrição alimentar severa.
- Motivada pelo medo de ganhar peso.
- Percepção corporal distorcida (autopercepção de estar acima do peso mesmo estando abaixo).
- Pode causar desnutrição secundária ou, em casos severos, primária.
- Bulimia nervosa:
- Caracterizada por compulsão alimentar.
- Seguida de indução de vômitos e/ou uso excessivo de laxantes.
- Complicações graves: desequilíbrios eletrolíticos, arritmias, osteoporose.
- Consequência comum a ambos: podem desencadear desnutrição (secundária ou, em casos extremos, primária).
Questionário da Seção
- Por que a professora incluiu o slide sobre transtornos alimentares mesmo não fazendo parte do material didático oficial? Porque havia citado a anorexia como exemplo de "interferência na ingestão" e considerou que o tema geraria curiosidade nos alunos.
- Qual a principal diferença de comportamento alimentar entre anorexia nervosa e bulimia nervosa? Na anorexia há restrição alimentar severa (o indivíduo come pouco ou quase nada); na bulimia há compulsão alimentar (o indivíduo come em excesso) seguida de vômitos ou uso de laxantes para compensar.
- Em que situação um transtorno alimentar pode levar à desnutrição primária, e não apenas secundária? Quando o transtorno é muito severo e a pessoa deixa de ingerir adequadamente todos os tipos de nutrientes (proteínas, carboidratos, lipídios), configurando falta direta dos componentes essenciais da dieta.
- Quais complicações graves foram associadas à bulimia nervosa pela professora? Desequilíbrios eletrolíticos, arritmias e osteoporose.
- Por que a professora considera os transtornos alimentares fora de sua área de especialidade, mesmo abordando o tema? Porque o fundo desses transtornos é predominantemente neurológico/psíquico, e a professora tem formação em Ciências Farmacêuticas, abordando o tema apenas do ponto de vista das consequências nutricionais/patológicas.
5. Obesidade: Saúde Pública, Balanço Energético e Patogênese
data/hora: 00:38:19 – 00:55:01
Slides
- Slide 12: "Obesidade e Saúde Pública" — obesidade tornou-se epidemia e problema de saúde pública; desequilíbrio alimentar relacionado à supernutrição resulta em quadro obesogênico; relação com aumento do tecido adiposo, ingestão calórica excedente, predisposição genética, tipos de dieta (mais carboidratos/gorduras que proteínas) e estilo de vida sedentário.
- Slide 13: "Balanço Energético Positivo" — diagrama de gangorra: ingestão de alimentos (seta para cima, imagem de pessoa comendo hambúrguer) versus gasto energético (seta para baixo, imagens de pessoas praticando exercícios); resultado: balanço energético positivo → obesidade.
- Slide 14: "Balanço Energético" — manutenção do peso: equilíbrio entre ingestão e gasto energético (igualdade).
- Slide 15: "Patogênese da Obesidade" — acondicionamento de lipídios nos adipócitos; secreção de moléculas endócrinas regulatórias: leptina (hormônio regulador de energia), fatores de regulação da sensibilidade à insulina (adiponectina, resistina, RBP4), citocinas (TNF-α e interleucina-6), fatores de regulação da pressão arterial (angiotensinogênio), fatores pró-trombóticos (inibidor de ativação do plasminogênio).
- Slide 16: "Eventos relacionados à inflamação e acúmulo de gordura na obesidade" — diagrama complexo mostrando a transição de adipócito unilocular (eutrófico) para adipócito hipertrófico (obeso), com infiltração de macrófagos, liberação de adipocinas pró-inflamatórias, aumento de leptina e resistência hipotalâmica à leptina, aumento de resistina/TNF/IL-6, resistência à insulina, hiperinsulinemia/hiperglicemia, e efeitos no fígado (glicogenólise, gliconeogênese) e músculo (redução da captação de glicose, aumento da oxidação de ácidos graxos).
5.1 A Obesidade como Problema de Saúde Pública
Narrativa da Aula
A professora introduziu a obesidade como uma patologia associada à nutrição que, em razão do estilo de vida, do padrão alimentar e da cultura de muitas populações, tornou-se um grande problema de saúde pública mundial.
"A obesidade ela gera problemas multifatoriais... a gente diz que acaba culminando, sim, num problema de saúde pública, porque a gente gera muitas patologias e muitas vezes o estado não consegue lidar com as necessidades dessa população."
Ela explicou que a obesidade está associada ao desencadeamento de patologias secundárias — principalmente cardiovasculares e diabetes — o que sobrecarrega os sistemas de saúde. Segundo a professora, a obesidade é considerada um desequilíbrio alimentar relacionado à supernutrição humana, resultando no estabelecimento de um "quadro obesogênico": aumento do tecido adiposo, comprometendo a saúde do indivíduo, decorrente do aumento da ingestão calórica excedente.
Os fatores associados a esse quadro incluem: predisposição genética de cada indivíduo, tipos de dieta (especialmente maior consumo de carboidratos e gorduras em relação às proteínas) e estilo de vida sedentário.
Exemplos
- Exemplo de patologias secundárias associadas à obesidade citadas nesta introdução: problemas cardiovasculares e diabetes.
- Exemplo de fator de risco individual: predisposição genética que favorece o acúmulo de tecido adiposo mesmo com ingestão calórica semelhante à de outras pessoas.
Pontos-Chave
- Obesidade = epidemia / problema de saúde pública global.
- Causa central: desequilíbrio alimentar relacionado à supernutrição, resultando em quadro obesogênico.
- Fatores associados ao quadro obesogênico:
- Aumento da ingestão calórica excedente.
- Predisposição genética individual.
- Tipo de dieta (mais carboidratos e gorduras do que proteínas).
- Estilo de vida sedentário.
- Impacto em saúde pública: desencadeamento de múltiplas patologias secundárias (cardiovasculares, diabetes, entre outras) que sobrecarregam os sistemas de saúde.
5.2 Balanço Energético e Patogênese da Obesidade (Leptina)
Narrativa da Aula
A professora explicou o conceito de balanço energético com o auxílio da imagem da gangorra (slide 13): para manter o peso corporal adequado, a ingestão calórica precisa ser proporcional ao gasto energético. Quando esse equilíbrio é rompido — ingestão maior que o gasto — instala-se um balanço energético positivo, que resulta em obesidade.
"Quando nós temos esse desequilíbrio... eu tenho aqui energia, calorias provenientes da alimentação em excesso, e essa energia em excesso vai ficar armazenada... principalmente num tipo celular específico, que são os adipócitos."
Ela destacou que hoje não se deve considerar apenas a quantidade calórica dos alimentos, mas também sua composição nutricional — alimentos com calorias semelhantes podem ter composições muito diferentes em termos de benefício para o organismo.
A professora também explicou fatores externos que influenciam o gasto energético (slide 14): prática de exercício físico (vida ativa versus sedentarismo) e qualidade do sono, além de fatores genéticos que podem interferir mesmo quando a pessoa tem boa rotina alimentar.
Na sequência, detalhou a patogênese da obesidade (slide 15): o quadro obesogênico decorre do acondicionamento de lipídios nos adipócitos. Essas células, em excesso, passam a secretar moléculas endócrinas regulatórias, incluindo a leptina (hormônio regulador de energia), fatores de regulação da sensibilidade à insulina, fatores de regulação da pressão arterial e fatores pró-trombóticos.
A professora explicou detalhadamente o mecanismo da resistência à leptina (slide 16), central para compreender por que o obeso não sente saciedade mesmo com excesso de tecido adiposo:
"Esse excesso de leptina secretado, quando a gente tem o aumento do tecido adiposo, promove uma sensibilidade... é como se o nosso cérebro entendesse ao contrário: ele fica sensível a essa secreção. Quanto mais tecido adiposo é armazenado, mais leptina é secretada, e a pessoa vai perdendo essa capacidade de sentir saciedade."
Ou seja: em condições normais, mais tecido adiposo deveria sinalizar saciedade (menos fome). Mas na obesidade, o hipotálamo desenvolve resistência à leptina — não interpreta corretamente o sinal — e a pessoa continua sentindo fome, com preferência por alimentos que fornecem energia rápida (ricos em carboidratos e gorduras). Esse ciclo também aumenta substâncias inflamatórias, o que agrava tanto a resistência à leptina quanto a resistência à insulina, favorecendo o acúmulo ainda maior de gordura nos adipócitos — um "ciclo vicioso".
Durante a sessão de perguntas (retomada aqui por contexto direto, ver Seção 9), a aluna Eliane perguntou sobre a relação com a grelina, mencionada no slide 16. A professora esclareceu que grelina e leptina são hormônios regulatórios opostos e complementares em condições fisiológicas normais: a grelina é liberada principalmente antes das refeições ou durante o jejum e sinaliza a sensação de fome; a leptina é liberada após a alimentação e sinaliza a saciedade. Na obesidade, quem está em excesso não é a grelina, e sim a leptina — mas por causa da resistência hipotalâmica a ela, o sinal de saciedade não é efetivamente compreendido pelo organismo.
Exemplos
- Exemplo do funcionamento normal do balanço energético: ingestão de alimentos igual ao gasto energético → manutenção do peso corporal.
- Exemplo de balanço energético positivo: pessoa comendo em excesso (imagem do hambúrguer no slide 13) com baixo gasto energético → acúmulo de gordura nos adipócitos → obesidade.
- Exemplo de fatores externos que ajudam no gasto energético: prática regular de exercício físico e boa qualidade de sono.
- Exemplo da confusão comum entre grelina e leptina, esclarecida pela professora a partir da pergunta da aluna Eliane sobre o slide 16.
Pontos-Chave
- Balanço energético:
- Equilibrado → ingestão = gasto → manutenção do peso.
- Positivo → ingestão > gasto → acúmulo de energia em forma de gordura nos adipócitos → obesidade.
- Fatores externos que influenciam o gasto energético: atividade física, qualidade do sono, fatores genéticos.
- Patogênese da obesidade (adipócitos em excesso secretam):
- Leptina — hormônio regulador de energia (sinaliza saciedade em condições normais).
- Fatores de regulação da sensibilidade à insulina: adiponectina, resistina, RBP4.
- Citocinas inflamatórias: TNF-α, interleucina-6 (IL-6).
- Fator de regulação da pressão arterial: angiotensinogênio.
- Fator pró-trombótico: inibidor de ativação do plasminogênio.
- Mecanismo-chave — resistência à leptina:
- Mais tecido adiposo → mais leptina secretada → hipotálamo torna-se resistente/menos sensível ao sinal → perda da sensação de saciedade → aumento do apetite, especialmente por alimentos de energia rápida (carboidratos e gorduras).
- Grelina vs. Leptina (tabela comparativa):
| Hormônio | Origem/liberação | Função | Situação na obesidade |
|---|---|---|---|
| Grelina | Liberada antes das refeições / em jejum | Sinaliza fome | Não é o hormônio alterado em excesso na obesidade |
| Leptina | Secretada pelos adipócitos após alimentação / conforme tecido adiposo | Sinaliza saciedade | Secretada em excesso, mas o hipotálamo desenvolve resistência, perdendo a sensibilidade ao sinal |
Questionário da Seção
- O que caracteriza um "balanço energético positivo" e qual sua consequência? Ocorre quando a ingestão calórica é maior que o gasto energético; o excesso de energia é armazenado como gordura nos adipócitos, levando à obesidade. Analogia: como depositar mais dinheiro do que se gasta em uma conta — o saldo (tecido adiposo) só cresce.
- Quais moléculas os adipócitos passam a secretar em excesso na obesidade, além da leptina? Fatores de regulação da sensibilidade à insulina (adiponectina, resistina, RBP4), citocinas inflamatórias (TNF-α, interleucina-6), fator de regulação da pressão arterial (angiotensinogênio) e fator pró-trombótico (inibidor de ativação do plasminogênio).
- Explique o mecanismo de resistência à leptina na obesidade. Quanto mais tecido adiposo o indivíduo acumula, mais leptina é secretada; porém, o hipotálamo torna-se resistente/menos sensível a esse sinal, deixando de reconhecer corretamente a saciedade — por isso a pessoa continua sentindo fome mesmo com reservas de gordura aumentadas.
- Qual a diferença fundamental entre grelina e leptina? A grelina sinaliza fome e é liberada antes das refeições/em jejum; a leptina sinaliza saciedade e é secretada pelos adipócitos conforme a quantidade de tecido adiposo e após a alimentação. São hormônios reguladores opostos.
- Por que a obesidade é considerada um problema multifatorial e não apenas uma questão de "força de vontade"? Porque envolve fatores genéticos (predisposição individual), hormonais (resistência à leptina/insulina), inflamatórios (citocinas), comportamentais (tipo de dieta, sedentarismo) e ambientais/socioeconômicos, que interagem entre si no desenvolvimento do quadro obesogênico.
6. Obesidade e Alterações Metabólicas Associadas
data/hora: 00:52:43 – 01:01:01
Slides
- Slide 17: "Patogênese da Obesidade" (continuação) — expressivo aumento do tecido adiposo por hiperplasia e hipertrofia dos adipócitos; genes da obesidade (gene ob e seu produto, a leptina; gene db, o receptor de leptina); deposição de gordura em tecidos subcutâneos (coração, fígado, músculos esqueléticos, rins); lista de alterações metabólicas: hiperinsulinemia, diabetes mellitus tipo 2 (DM2), hipertensão, hiperlipoproteinemia, aterosclerose, doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), colelitíase, síndrome de hipoventilação (síndrome de Pickwick), osteoartrite, câncer.
- Slide 18: "Obesidade e alterações metabólicas — Hiperinsulinemia": decorrente do aumento da secreção de insulina pelo pâncreas, relacionada ao desenvolvimento da obesidade e do DM2, decorrente da resistência à insulina no tecido.
- Slide 19: "Obesidade e alterações metabólicas — Diabetes mellitus tipo 2 (DM2)": estado diabético agravado pelo aumento do tecido adiposo; redução do peso melhora o quadro clínico do DM2.
- Slide 20: "Obesidade e alterações metabólicas — Hipertensão": aumento do volume sanguíneo necessário para manutenção da homeostase tecidual; redução do peso reduz a pressão arterial sistólica.
- Slide 21: "Obesidade e alterações metabólicas — Aterosclerose": acúmulo de gordura no interior do vaso sanguíneo; contribui para quadro hipertensivo e aumenta risco de infarto do miocárdio e AVC em obesos.
6.1 Hiperinsulinemia e Diabetes Mellitus Tipo 2
Narrativa da Aula
A professora complementou a patogênese da obesidade explicando que o expressivo aumento do tecido adiposo — resultante de hiperplasia (aumento do número de células) e hipertrofia (aumento do tamanho das células) dos adipócitos — provoca uma série de disfunções metabólicas. Ela citou os dois genes descritos para a obesidade: o gene ob (que produz a leptina) e o gene db (que codifica o receptor de leptina). O quadro obesogênico está associado à deposição extensa de gordura em tecidos subcutâneos, principalmente no coração, fígado, músculos esqueléticos e rins.
A partir disso, listou as principais alterações metabólicas de risco associadas à obesidade: hiperinsulinemia, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, hiperlipoproteinemia, aterosclerose, doença hepática gordurosa não alcoólica, colelitíase, síndrome de hipoventilação, osteoartrite e câncer. A professora fez questão de ressaltar que nem todo obeso desenvolve essas alterações:
"Todo obeso vai desenvolver essas patologias? Não, certo? Não obrigatoriamente. Eu posso ter um obeso que não apresente nenhuma dessas alterações metabólicas, porque tudo isso tá muito relacionado às condições individuais e principalmente genéticas, e o estilo de vida de cada um deles."
Sobre a hiperinsulinemia, explicou que decorre do aumento da secreção de insulina pelo pâncreas, intimamente relacionada tanto à obesidade quanto ao desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2. O mecanismo: os depósitos de gordura em excesso nos tecidos provocam resistência à insulina, desfavorecendo a captação de glicose pelas células. A professora comparou o funcionamento do pâncreas normal (secreta insulina suficiente, estimulando a captação de glicose pelas células para uso como energia) com o do paciente diabético (o pâncreas produz menos insulina eficaz, resultando em menor captação de glicose pelas células e maior glicose circulante no sangue — a hiperglicemia mensurada bioquimicamente).
Exemplos
- Exemplo do mecanismo comparativo apresentado pela professora: pâncreas normal (insulina normal → boa captação de glicose pelas células) versus pâncreas do diabético (menos insulina eficaz → menor captação → mais glicose circulante no sangue).
- Exemplo de que nem todo obeso desenvolve as alterações metabólicas listadas — depende de fatores genéticos e de estilo de vida individuais.
Pontos-Chave
- Mecanismo celular do aumento do tecido adiposo:
- Hiperplasia: aumento do número de adipócitos.
- Hipertrofia: aumento do tamanho dos adipócitos.
- Genes da obesidade:
- Gene ob → produz a proteína leptina.
- Gene db → codifica o receptor de leptina.
- Locais de deposição extensa de gordura subcutânea: coração, fígado, músculos esqueléticos, rins.
- Lista de alterações metabólicas associadas à obesidade: hiperinsulinemia, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, hiperlipoproteinemia, aterosclerose, doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), colelitíase, síndrome de hipoventilação (síndrome de Pickwick), osteoartrite, câncer.
- Ressalva importante: nem todo indivíduo obeso desenvolve essas alterações — depende de condições genéticas individuais e estilo de vida.
- Hiperinsulinemia: aumento da secreção de insulina pelo pâncreas, ligada à resistência insulínica nos tecidos por depósito excessivo de gordura.
- Diabetes mellitus tipo 2: estado diabético agravado pelo aumento do tecido adiposo; a redução do peso melhora o quadro clínico.
6.2 Hipertensão e Aterosclerose
Narrativa da Aula
Sobre a hipertensão, a professora explicou que, com o estabelecimento do quadro obesogênico, ocorre aumento do volume sanguíneo necessário para a manutenção da homeostase, o que eleva a pressão arterial. Ela destacou que a redução do peso corporal costuma reduzir também a pressão arterial sistólica do paciente — ou seja, muitas vezes regular o peso corporal é suficiente para reverter o quadro hipertensivo associado à obesidade.
Sobre a aterosclerose, explicou que ela está amplamente associada à obesidade pelo acúmulo de gordura no interior dos vasos sanguíneos. O excesso de glicose circulante e de lipídios não utilizados adequadamente como fonte de energia (por conta do desequilíbrio energético já discutido) acaba circulando e se depositando nos vasos sanguíneos, formando as placas de ateroma. Esse processo contribui também para o quadro hipertensivo e aumenta o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) em indivíduos obesos.
Durante as perguntas do chat (ver Seção 9), a aluna Gabriela questionou se uma pessoa não obesa poderia desenvolver aterosclerose. A professora confirmou que sim, pois a aterosclerose depende de predisposição individual (níveis elevados de colesterol e triglicerídeos), não exclusivamente do índice de massa corporal — mesmo pacientes magros podem apresentar essa predisposição metabólica. A mediadora Jéssica complementou citando as dislipidemias como outro exemplo de alteração metabólica (acúmulo de gordura no fígado e alteração na metabolização de ácidos graxos) presente também em pessoas magras, que também podem desencadear aterosclerose.
Exemplos
- Exemplo do efeito da perda de peso sobre a hipertensão associada à obesidade: redução do peso corporal → redução da pressão arterial sistólica.
- Exemplo de pessoa não obesa com risco de aterosclerose: paciente magro com colesterol e triglicerídeos elevados, por predisposição individual/genética.
- Exemplo citado por Jéssica: dislipidemias em pessoas magras, com acúmulo de gordura no fígado e alteração na metabolização de ácidos graxos.
Pontos-Chave
- Hipertensão associada à obesidade:
- Causa: aumento do volume sanguíneo necessário para manter a homeostase tecidual no quadro obesogênico.
- A redução do peso corporal tende a reduzir a pressão arterial sistólica.
- Aterosclerose associada à obesidade:
- Causa: acúmulo de gordura (placas de ateroma) no interior dos vasos sanguíneos, por excesso de lipídios e glicose circulantes não utilizados como energia.
- Consequências: contribui para hipertensão e aumenta risco de infarto do miocárdio e AVC.
- Aterosclerose não exclusiva de obesos: pessoas magras com colesterol/triglicerídeos elevados (predisposição individual) ou com dislipidemias também podem desenvolver aterosclerose.
Questionário da Seção
- Por que a professora afirma que "nem todo obeso vai desenvolver" as alterações metabólicas listadas? Porque o desenvolvimento dessas alterações depende de condições individuais, principalmente genéticas, e do estilo de vida de cada pessoa — a obesidade é fator de risco, não uma garantia de desenvolvimento das complicações.
- Qual é o mecanismo que liga o excesso de tecido adiposo à hiperinsulinemia e ao diabetes tipo 2? O excesso de depósitos de gordura nos tecidos provoca resistência à insulina, o que desfavorece a captação de glicose pelas células; o pâncreas aumenta a secreção de insulina (hiperinsulinemia) na tentativa de compensar, mas mesmo assim há aumento da glicose circulante, caracterizando o diabetes tipo 2.
- Como a obesidade se relaciona com a hipertensão arterial? O quadro obesogênico exige um maior volume sanguíneo para manter a homeostase tecidual, o que eleva a pressão arterial; a redução do peso corporal tende a reduzir a pressão arterial sistólica.
- Como se forma a aterosclerose em indivíduos obesos? Pelo acúmulo de lipídios e glicose circulantes que não estão sendo utilizados adequadamente como fonte de energia, depositando-se nos vasos sanguíneos na forma de placas de ateroma.
- É possível uma pessoa magra desenvolver aterosclerose? Por quê? Sim — a aterosclerose depende de níveis elevados de colesterol e triglicerídeos circulantes e de predisposição individual/genética, não exclusivamente do índice de massa corporal; dislipidemias também podem ocorrer em pessoas magras. Analogia: os vasos sanguíneos "entopem" pela quantidade de gordura circulante no sangue, independentemente de quanto tecido adiposo a pessoa acumula visivelmente.
7. Desnutrição Proteico-Energética: Marasmo e Kwashiorkor
data/hora: 01:01:01 – 01:04:56
Slides
- Slide 22: "Desnutrição aguda grave" — critérios da OMS: razão peso/altura com desvio padrão de 3 abaixo do padrão de crescimento médio; consumpção visível (definhamento) ou presença de edema nutricional; afeta mais de 50 milhões de crianças no mundo; 45% das mortes de crianças menores de 5 anos em países com poucos recursos decorrem da subnutrição.
- Slide 23: Deficiência proteico-energética, com duas apresentações: marasmo (redução severa do consumo de calorias, perda de gordura corporal e atrofia muscular, geralmente com imunodeficiência celular e anemia) e kwashiorkor (redução severa do consumo de proteínas, forma mais comum de subnutrição, edema generalizado ou de extremidades por baixa concentração proteica sanguínea, também com imunodeficiência).
- Slide 24: Fotografia clínica (Figura 7.17, fonte Bogliolo) — painel A: criança com marasmo, mostrando perda de massa muscular e gordura subcutânea, cabeça desproporcionalmente grande em relação ao corpo emaciado (foto de Clinic Barak, Reisebericht Kenya); painel B: bebê com kwashiorkor, mostrando edema generalizado (ascite, inchaço na face, mãos e pernas).
7.1 Critérios da OMS e as Duas Formas de Desnutrição Proteico-Energética
Narrativa da Aula
A professora fez a transição para as patologias de desnutrição — o cenário oposto ao da obesidade em termos de balanço energético. Ela apresentou os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) para caracterizar a desnutrição aguda grave: razão peso/altura com desvio padrão de 3 abaixo do padrão médio de crescimento, consumpção visível (definhamento) ou presença de edema nutricional.
"Afeta mais de 50 milhões de crianças no mundo, como eu disse para vocês. Parece algo que não é real, mas acomete muito ainda a população e é responsável por 45% das mortes de crianças menores de 5 anos em países com poucos recursos, todos decorrentes da subnutrição."
Em seguida, detalhou as duas principais deficiências proteico-energéticas: marasmo e kwashiorkor (a professora comentou não ter certeza da pronúncia exata do termo).
No marasmo, há redução severa do consumo de calorias, com perda de gordura corporal e atrofia muscular. A professora explicou o mecanismo: como o indivíduo não tem fontes ideais de carboidratos, lipídios nem proteínas, o organismo passa a buscar energia nas fontes musculares (músculo esquelético), causando a atrofia muscular observada. Geralmente há imunodeficiência celular e anemia associadas.
No kwashiorkor, há redução severa especificamente no consumo de proteínas — é a forma mais comum encontrada em estados de subnutrição, podendo ocorrer também em indivíduos com extensa perda proteica por outras causas. Devido à baixa concentração de proteínas no sangue, ocorre edema generalizado nas extremidades. Assim como no marasmo, há imunodeficiência.
A professora descreveu as imagens do slide 24: no marasmo (figura A), observa-se perda de massa muscular e de gordura subcutânea, com a cabeça parecendo desproporcionalmente grande em relação ao corpo emaciado. No kwashiorkor (figura B), o bebê apresenta edema generalizado, observado como ascite e inchaço na face, mãos e pernas — resultado do desequilíbrio na concentração sanguínea de proteínas, que provoca extravasamento de líquido para os tecidos.
Exemplos
- Exemplo visual do marasmo (slide 24, figura A): criança com perda severa de massa muscular e gordura subcutânea, cabeça desproporcionalmente grande em relação ao corpo.
- Exemplo visual do kwashiorkor (slide 24, figura B): bebê com edema generalizado (ascite, inchaço de face, mãos e pernas).
- Exemplo do mecanismo do marasmo: organismo sem fontes de carboidrato/lipídio/proteína passa a "consumir" o próprio músculo esquelético como fonte de energia.
Pontos-Chave
- Critérios OMS para desnutrição aguda grave:
- Razão peso/altura com desvio padrão de 3 abaixo da média de crescimento.
- Consumpção visível (definhamento) OU edema nutricional.
- Afeta mais de 50 milhões de crianças no mundo.
- Responsável por 45% das mortes de crianças menores de 5 anos em países com poucos recursos.
- Comparação entre marasmo e kwashiorkor:
| Característica | Marasmo | Kwashiorkor |
|---|---|---|
| Causa principal | Redução severa de calorias (todos os macronutrientes) | Redução severa de proteínas especificamente |
| Aparência clínica | Perda de gordura corporal e atrofia muscular; cabeça parece maior que o corpo emaciado | Edema generalizado/de extremidades (ascite, inchaço de face, mãos, pernas) |
| Mecanismo do achado clínico | Organismo busca energia no músculo esquelético, causando atrofia | Baixa concentração de proteína sanguínea causa extravasamento de líquido para os tecidos |
| Frequência | — | Forma mais comum de subnutrição proteico-energética |
| Sistema imune | Imunodeficiência celular e anemia | Imunodeficiência (assim como no marasmo) |
Questionário da Seção
- Quais são os critérios da OMS para caracterizar a desnutrição aguda grave? Razão peso/altura com desvio padrão de 3 abaixo do padrão de crescimento médio, e consumpção visível (definhamento) ou presença de edema nutricional.
- Qual a diferença de causa nutricional entre marasmo e kwashiorkor? O marasmo decorre de redução severa do consumo geral de calorias (déficit calórico amplo); o kwashiorkor decorre especificamente de redução severa no consumo de proteínas.
- Por que a criança com marasmo apresenta atrofia muscular? Porque, sem fontes ideais de carboidratos e lipídios, o organismo passa a buscar energia nas reservas musculares (músculo esquelético), consumindo a massa muscular.
- Por que ocorre edema generalizado no kwashiorkor? Devido à baixa concentração de proteínas no sangue, que provoca desequilíbrio osmótico e extravasamento de líquido para os tecidos, gerando ascite e inchaço de face, mãos e pernas.
- Qual das duas formas de desnutrição proteico-energética é considerada mais comum em estados de subnutrição? O kwashiorkor. Analogia: o marasmo é como "a fábrica ficar sem matéria-prima nenhuma" (falta calorias em geral); o kwashiorkor é como "a fábrica ter energia, mas faltar a peça específica (proteína)" para montar e manter as estruturas do corpo.
8. Micronutrientes: Vitaminas, Funções e Síndromes de Deficiência
data/hora: 01:04:56 – 01:11:23
Slides
- Slide 25: "Micronutrientes - Vitaminas" — vitaminas são moléculas orgânicas não sintetizadas pelo organismo, mas essenciais para a homeostase, conferindo estrutura e contribuindo para funções celulares; devem ser suplementadas em mínimas doses via fontes animais e vegetais; classificação em lipossolúveis (A, D, E, K — absorvidas no intestino com auxílio de sais biliares) e hidrossolúveis (complexo B e C, biotina, colina — absorvidas no intestino delgado, facilmente perdidas no cozimento).
- Slide 26: "Vitamina A" — funções: visão, regulação do crescimento e diferenciação celular, regulação do metabolismo de lipídeos, função imunológica; deficiência: cegueira noturna, xeroftalmia, ceratomalácia, cegueira; fontes: vegetais verdes folhosos e amarelos ricos em carotenoides (betacaroteno); suplementação reduz mortalidade em 20-30% em regiões com deficiência prevalente.
- Slide 27: "Vitamina D" — função: metabolismo do cálcio e fósforo (mineralização óssea, transmissão neuromuscular); deficiência: raquitismo (crianças), osteomalácia (adultos); fontes: síntese endógena a partir da luz solar/UV artificial (90%), peixes de mar profundo, grãos.
- Slide 28: "Vitamina C" — função: vias biossintéticas, hidroxilação e reações redox, propriedades antioxidantes; deficiência: escorbuto (doença óssea em crianças, hemorragias, defeitos de cicatrização), supressão da síntese de colágeno; fontes: frutas, vegetais, leite, peixes; megadoses não comprovadamente protegem contra resfriado (apenas alívio suave, leve ação anti-histamínica).
- Slide 29: Tabela 7.9 (fonte Bogliolo) — "Vitaminas: principais funções e síndromes de deficiência" (lipossolúveis: A, D, E, K).
- Slide 30: Tabela complementar — vitaminas hidrossolúveis (B1/tiamina, B2/riboflavina, niacina, B6/piridoxina, B12, C, folato, ácido pantotênico, biotina), funções e síndromes de deficiência.
8.1 Classificação Geral das Vitaminas
Narrativa da Aula
A professora explicou que as vitaminas são moléculas orgânicas que o organismo não sintetiza, mas que são essenciais para a homeostase, conferindo estrutura e contribuindo positivamente para as funções celulares. Por isso, devem ser obtidas pela alimentação, em fontes animais e vegetais, em doses mínimas.
Ela apresentou a classificação em duas categorias: lipossolúveis (vitaminas A, D, E — a professora mencionou essas três oralmente, o slide inclui também a K), absorvidas no intestino na presença de sais biliares; e hidrossolúveis (complexo B e C, biotina, colina), absorvidas no intestino delgado, mas facilmente perdidas após o cozimento.
Sobre a perda de vitaminas hidrossolúveis no preparo dos alimentos, a professora deu uma orientação prática:
"O ideal, principalmente para a gente não perder a concentração das vitaminas hidrossolúveis, é a forma de cozinhar em vapor, em que a gente não tem o contato, a imersão do alimento na água."
Ela também reforçou a lógica de excesso/deficiência aplicada às vitaminas: como as hidrossolúveis são facilmente excretadas quando em excesso, a suplementação desnecessária tende a ser simplesmente eliminada pelo organismo (será retomado nas perguntas da Seção 9).
Exemplos
- Exemplo prático dado pela professora: cozinhar os alimentos no vapor, em vez de imergi-los em água, para preservar as vitaminas hidrossolúveis.
Pontos-Chave
- Vitaminas: moléculas orgânicas não sintetizadas pelo organismo, essenciais à homeostase e às funções celulares; obtidas pela dieta em doses mínimas.
- Classificação:
- Lipossolúveis: A, D, E, K — absorvidas no intestino com auxílio de sais biliares.
- Hidrossolúveis: complexo B, C, biotina, colina — absorvidas no intestino delgado; perdidas facilmente no cozimento por imersão em água.
- Dica prática: cozinhar no vapor preserva melhor as vitaminas hidrossolúveis.
8.2 Vitamina A, Vitamina D e Vitamina C: Funções e Deficiências
Narrativa da Aula
A professora apresentou individualmente três vitaminas, conforme a meta de aprendizagem da unidade.
Vitamina A: possui múltiplas funções — regula o metabolismo de lipídios, tem função imunológica, participa da manutenção da capacidade de visão, e regula o crescimento e a diferenciação celular. Sua deficiência pode gerar cegueira noturna, além de xeroftalmia (ressecamento ocular) ou queratinização excessiva, podendo evoluir para ceratomalácia e cegueira. As principais fontes são vegetais folhosos verdes e amarelos, ricos em carotenoides, principalmente o betacaroteno. A professora destacou um dado epidemiológico relevante: em regiões do mundo com deficiência prevalente de vitamina A, suplementos dietéticos reduzem a mortalidade em 20 a 30%, melhorando a função imunológica.
Vitamina D: sua função principal é regular o metabolismo de cálcio e fósforo. A deficiência de vitamina D, principalmente em crianças, pode provocar raquitismo; em adultos, pode provocar osteomalácia. Suas principais fontes envolvem síntese endógena a partir da luz solar (ou UV artificial), além de alguns peixes de mar profundo e grãos.
Vitamina C: atua em muitas vias biossintéticas, relacionada a reações antioxidantes e de oxirredução (a professora citou como exemplo o escurecimento observado em alimentos ricos em vitamina C, resultado dessas reações redox). Sua deficiência gera o escorbuto. A professora observou que as deficiências de vitamina C não são muito comuns atualmente, dada a possibilidade de suplementação e o acompanhamento bioquímico de pacientes — sendo mais raras quando não associadas a outras patologias. As fontes principais são frutas, vegetais e leite.
Sobre um mito popular, a professora esclareceu:
"Não foi comprovado que megadoses de vitamina C protejam contra resfriado... elas geram, no caso, um alívio suave, uma leve ação antihistamínica. Por isso que muitas vezes a gente tem essa associação da vitamina C com o resfriado, mas a literatura nos traz que elas não protegem."
Por fim, a professora indicou as duas tabelas complementares (slides 29 e 30, do livro Bogliolo), reunindo todas as vitaminas lipossolúveis e hidrossolúveis, suas funções e síndromes de deficiência, para consulta e aprofundamento dos alunos.
Exemplos
- Exemplo do escurecimento de alimentos ricos em vitamina C como manifestação visível das reações de oxirredução.
- Exemplo epidemiológico: suplementação de vitamina A em regiões com deficiência prevalente reduz mortalidade infantil em 20-30%.
- Exemplo do mito popular esclarecido: megadoses de vitamina C não protegem contra resfriado (apenas alívio suave/leve ação anti-histamínica).
Pontos-Chave
- Vitamina A:
- Funções: visão, regulação do metabolismo lipídico, função imunológica, crescimento/diferenciação celular.
- Deficiência: cegueira noturna, xeroftalmia, ceratomalácia, cegueira.
- Fontes: vegetais verde-escuros e amarelos ricos em carotenoides (betacaroteno).
- Dado epidemiológico: suplementação reduz mortalidade em 20-30% em áreas de deficiência prevalente.
- Vitamina D:
- Função: metabolismo de cálcio e fósforo.
- Deficiência: raquitismo (crianças), osteomalácia (adultos).
- Fontes: síntese endógena via luz solar/UV (principal), peixes de mar profundo, grãos.
- Vitamina C:
- Função: vias biossintéticas, reações redox/antioxidantes.
- Deficiência: escorbuto.
- Fontes: frutas, vegetais, leite.
- Mito esclarecido: megadoses não previnem resfriado comprovadamente.
- Material de apoio: tabelas completas de vitaminas lipossolúveis (slide 29) e hidrossolúveis (slide 30), do livro Bogliolo — Patologia.
Questionário da Seção
- Qual a diferença de absorção entre vitaminas lipossolúveis e hidrossolúveis? As lipossolúveis (A, D, E, K) são absorvidas no intestino com auxílio de sais biliares; as hidrossolúveis (complexo B, C, biotina, colina) são absorvidas no intestino delgado, mas facilmente perdidas durante o cozimento por imersão em água.
- Que orientação prática a professora deu para preservar as vitaminas hidrossolúveis no preparo dos alimentos? Cozinhar os alimentos no vapor, evitando a imersão em água.
- Quais são as principais manifestações clínicas da deficiência de vitamina A? Cegueira noturna, xeroftalmia (ressecamento ocular), podendo evoluir para ceratomalácia e cegueira.
- Qual a diferença entre raquitismo e osteomalácia, ambos causados pela deficiência de vitamina D? Raquitismo ocorre em crianças; osteomalácia ocorre em adultos — ambos decorrem do comprometimento do metabolismo de cálcio e fósforo pela falta de vitamina D.
- É verdade que megadoses de vitamina C previnem resfriados? Não — segundo a literatura citada pela professora, isso não foi comprovado; o que ocorre é apenas um alívio suave dos sintomas, por uma leve ação anti-histamínica.
9. Perguntas e Respostas da Audiência (Chat)
data/hora: 01:11:23 – 01:29:10
Ao final do conteúdo teórico, a mediadora Jéssica Bonato reuniu e leu as perguntas enviadas pelos alunos no chat, que foram respondidas pela professora Luana Magri Tunin.
| Aluno(a) | Pergunta | Resposta da professora |
|---|---|---|
| Aluno não identificado | Como saber a quantidade ideal de vitaminas a ingerir? | Existe tabela padrão da quantidade ideal, disponível no material didático do livro (na descrição das vitaminas) e em guias nutricionais, inclusive da Organização Mundial da Saúde. A professora retirou os números do material para não deixá-lo cansativo, mas reforçou que as quantidades diárias recomendadas são sempre mínimas (miligramas ou menos, variando conforme a vitamina/mineral). Numa alimentação equilibrada, sem patologias intestinais ou de absorção estomacal, dificilmente há necessidade de suplementação. |
| Isabela | Se uma pessoa já se alimenta de forma adequada e ainda assim usa complexos vitamínicos, o excesso de vitamina faz mal à saúde? | Sim. Em excesso, algumas vitaminas podem se depositar em tecidos e órgãos, gerando cálculos — como o exemplo dos depósitos de carotenoide no tecido subcutâneo, que conferem coloração amarelada à pele. As lipossolúveis tendem a se depositar quando em excesso; as hidrossolúveis são excretadas. Quando a suplementação não é indicada/necessária, o organismo simplesmente excreta o excesso — "jogando dinheiro fora". |
| Mari | Comentário de que, na cidade dela, "marasmo" é usado como gíria para "preguiça"/estar parado. | A professora e Jéssica acharam graça e comentaram que essa expressão também é usada popularmente em outros lugares, servindo como momento de descontração na aula. |
| Marcelo | Se as vitaminas não forem absorvidas pelo intestino, existem outras formas de repor? | Sim. Quando a absorção intestinal não é suficiente, é possível fazer reposição venosa, que não passa pelo efeito da absorção intestinal. Existem casos em que essa reposição é necessária, mas deve ser avaliada individualmente. |
| Eliane | Pergunta relacionada ao slide 16 sobre a grelina. | A grelina e a leptina são dois hormônios regulatórios opostos em condições fisiológicas normais. A grelina é liberada principalmente antes das refeições ou durante o jejum, sinalizando a sensação de fome. A leptina sinaliza saciedade. Na obesidade, quem é secretado em excesso é a leptina (não a grelina), mas o hipotálamo desenvolve resistência a ela, perdendo a capacidade de interpretar corretamente o sinal de saciedade. |
| Lari (ou Laris) | Não entendi sobre a leptina — temos que ingerir mais ela? | Não, a leptina não é ingerida; é um hormônio regulatório secretado pelo próprio organismo (pelos adipócitos) após a ingestão de alimentos, sinalizando saciedade. |
| Gabriela | Uma pessoa que não é obesa pode desenvolver aterosclerose? | Sim. A aterosclerose foi discutida como alteração metabólica ligada à obesidade, mas pacientes considerados magros (com índice de massa corporal fora da classificação de obesidade) podem ter predisposição a metabolizar menos lipídios, resultando em colesterol e triglicerídeos elevados, podendo desenvolver aterosclerose mesmo sem serem obesos. (Complementado por Jéssica com o exemplo das dislipidemias em pessoas magras, envolvendo acúmulo de gordura no fígado e alteração na metabolização de ácidos graxos.) |
| Sidney | Qual a interferência das "canetas emagrecedoras" no equilíbrio nutricional, e é possível manter o equilíbrio nutricional em uma pessoa obesa/acima do peso que as utiliza? | A "caneta" (análogo de GLP-1) tem o efeito de diminuir o peso corporal, principalmente por dois mecanismos: relacionado à captação/regulação da insulina e por diminuir o esvaziamento gástrico, fazendo a pessoa sentir menos fome. A professora ressaltou não ser da sua área de especialidade, mas explicou que a medicação em si não provoca diretamente um desequilíbrio nutricional nem reduz a absorção de nutrientes. O problema surge de forma indireta: se o paciente não está bem acompanhado por profissionais, ele pode deixar de conseguir se alimentar adequadamente (por não sentir fome ou passar mal ao comer), o que sim reduz a ingesta de nutrientes, incluindo proteínas — um efeito secundário/indireto do uso não acompanhado da medicação. |
| Gabriela (pergunta complementar) | Qual a relação entre a "caneta" e a sarcopenia? | Como o principal mecanismo da medicação é a captação de glicose tanto no tecido adiposo quanto no tecido muscular, e a pessoa frequentemente perde a capacidade de sentir fome e de fazer a ingesta proteica necessária, ela pode perder não apenas gordura, mas também massa muscular — aumentando as vias metabólicas de catabolização, que passam a "quebrar" inclusive as reservas musculares como fonte de energia. Por isso a relação entre o uso da caneta e a sarcopenia. |
| Simone | Quem não tem vesícula biliar tem a absorção de vitaminas mais comprometida? | Teoricamente não, na maioria dos casos. A bile é produzida no fígado; a vesícula biliar apenas a armazena para liberá-la em maior quantidade no duodeno durante a digestão. Sem a vesícula, a bile continua sendo produzida e liberada (de forma mais contínua), podendo a pessoa precisar de um período de adaptação e, em alguns casos, do uso de enzimas digestivas, mas de forma geral a absorção de vitaminas não fica comprometida. |
| (Contextualização geral sobre vesícula biliar, antes da pergunta de Simone) | Dúvidas gerais sobre vesícula biliar e absorção de vitaminas lipossolúveis. | A professora esclareceu que a retirada da vesícula biliar não significa ausência de bile — apenas exige um período de adaptação, já que a bile passa a fluir diretamente para o intestino em vez de ser concentrada e armazenada. O que pode ser prejudicado é a absorção de algumas vitaminas lipossolúveis durante esse período de adaptação. |
Destaques da Aula
- "Como tudo para o metabolismo humano, o grande segredo é o equilíbrio." — princípio central que a professora aplica a macro e micronutrientes ao longo de toda a aula.
- "A primeira fonte energética que o nosso organismo vai buscar é principalmente pelos carboidratos, depois nos lipídios e por fim, quando realmente necessário, vai tirar a energia das proteínas." — hierarquia de uso de substrato energético.
- "Não obrigatoriamente uma gestante, uma lactante ou aqui um portador de hipertireoidismo vai desenvolver uma deficiência secundária." — reforço de que fatores de risco não implicam desfecho automático.
- "A cloridria é quando o paciente deixa de secretar em condições adequadas o ácido clorídrico" — explicação extra da professora, fora do material escrito, sobre um termo do slide 7.
- "A obesidade... se tornou uma epidemia e um problema de saúde pública."
- "Quanto mais tecido adiposo é armazenado, mais leptina é secretada, e a pessoa vai perdendo essa capacidade de sentir saciedade." — mecanismo-chave da resistência à leptina na obesidade.
- "Todo obeso vai desenvolver essas patologias? Não, certo? Não obrigatoriamente." — ressalva sobre individualidade genética e estilo de vida nas complicações da obesidade.
- "Não foi comprovado que megadoses de vitamina C protejam contra resfriado." — desmistificação de crença popular.
- "A caneta em si... ela não vai provocar um desequilíbrio nutricional... mas se a pessoa não consegue comer bem, consequentemente ela não vai ingerir bem os nutrientes." — distinção entre efeito direto e indireto das medicações para emagrecimento (análogos de GLP-1) sobre o estado nutricional.
- "A bile ela é produzida no fígado; a vesícula só vai armazenar a bile para liberar em grande quantidade dentro do duodeno." — esclarecimento sobre o papel real da vesícula biliar na digestão.
Lista de Títulos de Seção
- Introdução à Unidade 8: Patologias Nutricionais e Metas de Aprendizagem
- Nutrientes para o Metabolismo Humano
- Classificação das Deficiências Nutricionais: Primária e Secundária
- Transtornos Alimentares: Anorexia e Bulimia Nervosa
- Obesidade: Saúde Pública, Balanço Energético e Patogênese
- Obesidade e Alterações Metabólicas Associadas
- Desnutrição Proteico-Energética: Marasmo e Kwashiorkor
- Micronutrientes: Vitaminas, Funções e Síndromes de Deficiência
- Perguntas e Respostas da Audiência (Chat)
Glossário
| Nº | Termo | Sinônimo/Apelido | Definição |
|---|---|---|---|
| 1 | Acloridria | Cloridria (termo usado pela professora) | Redução ou ausência da secreção adequada de ácido clorídrico no estômago, elevando o pH gástrico e prejudicando a absorção de minerais como ferro e cálcio. |
| 2 | Adipócito | Célula de gordura | Célula do tecido adiposo especializada no armazenamento de lipídios; em excesso, secreta moléculas endócrinas regulatórias (leptina, citocinas, etc.). |
| 3 | Adiponectina | — | Molécula secretada pelo tecido adiposo relacionada à regulação da sensibilidade à insulina. |
| 4 | Angiotensinogênio | — | Fator secretado pelos adipócitos relacionado à regulação da pressão arterial. |
| 5 | Anorexia nervosa | — | Transtorno alimentar caracterizado por restrição alimentar severa motivada pelo medo de ganhar peso, com percepção corporal distorcida. |
| 6 | Aterosclerose | Ateroesclerose | Acúmulo de placas de gordura (ateroma) no interior dos vasos sanguíneos, associado a obesidade, dislipidemias e risco de infarto/AVC. |
| 7 | Betacaroteno | — | Principal carotenoide precursor da vitamina A, encontrado em vegetais verde-escuros e amarelos. |
| 8 | Bulimia nervosa | — | Transtorno alimentar caracterizado por compulsão alimentar seguida de vômitos ou uso de laxantes. |
| 9 | Ceratomalácia | Queratomalácia | Amolecimento e degeneração da córnea decorrente de deficiência grave de vitamina A, podendo levar à cegueira. |
| 10 | Colelitíase | Pedra na vesícula | Formação de cálculos biliares, citada como possível alteração metabólica associada à obesidade. |
| 11 | Deficiência nutricional primária | — | Falta direta de um ou mais componentes essenciais da dieta (carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais). |
| 12 | Deficiência nutricional secundária | — | Deficiência nutricional resultante da associação de fatores como aumento da demanda, excreção aumentada, interferência na absorção, na função tecidual ou na ingestão. |
| 13 | Desnutrição aguda grave | — | Segundo a OMS, quadro caracterizado por razão peso/altura com desvio padrão de 3 abaixo da média, consumpção visível ou edema nutricional. |
| 14 | Dislipidemia | — | Alteração dos níveis de lipídios no sangue (colesterol, triglicerídeos), podendo ocorrer mesmo em pessoas magras e favorecer aterosclerose. |
| 15 | Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) | Esteatose hepática não alcoólica | Acúmulo de gordura no fígado não relacionado ao consumo de álcool, associado à obesidade. |
| 16 | Edema nutricional | — | Inchaço generalizado ou de extremidades causado por baixa concentração de proteínas no sangue, característico do kwashiorkor. |
| 17 | Escorbuto | — | Doença causada pela deficiência de vitamina C, caracterizada por problemas ósseos, hemorragias e defeitos de cicatrização. |
| 18 | Esvaziamento gástrico | — | Processo de passagem do conteúdo do estômago para o intestino; sua redução (efeito de medicações como análogos de GLP-1) diminui a sensação de fome. |
| 19 | Grelina | Hormônio da fome | Hormônio regulatório liberado principalmente antes das refeições ou em jejum, que sinaliza a sensação de fome. |
| 20 | Hiperinsulinemia | — | Aumento da secreção de insulina pelo pâncreas, associado à obesidade e à resistência insulínica nos tecidos. |
| 21 | Hiperlipoproteinemia | — | Aumento dos níveis de lipoproteínas no sangue, alteração metabólica associada à obesidade. |
| 22 | Hiperplasia | — | Aumento do número de células de um tecido (no contexto da aula, aumento do número de adipócitos). |
| 23 | Hipertrofia | — | Aumento do tamanho das células de um tecido (no contexto da aula, aumento do tamanho dos adipócitos). |
| 24 | Kwashiorkor | Caricor (pronúncia aproximada usada pela professora) | Deficiência proteico-energética por redução severa do consumo de proteínas, caracterizada por edema generalizado; forma mais comum de subnutrição. |
| 25 | Leptina | Hormônio da saciedade | Hormônio regulador de energia secretado pelos adipócitos, que sinaliza saciedade ao hipotálamo; na obesidade, ocorre resistência a esse hormônio. |
| 26 | Marasmo | — | Deficiência proteico-energética por redução severa do consumo de calorias, com perda de gordura corporal e atrofia muscular. |
| 27 | Osteomalácia | — | Amolecimento ósseo em adultos causado por deficiência de vitamina D. |
| 28 | Poliúria | — | Micção excessiva, um dos fatores associados ao aumento da excreção de nutrientes/minerais. |
| 29 | Quadro obesogênico | — | Conjunto de alterações fisiológicas decorrentes do desequilíbrio alimentar relacionado à supernutrição, que resulta em obesidade. |
| 30 | Raquitismo | — | Deficiência de mineralização óssea em crianças causada por deficiência de vitamina D. |
| 31 | Resistência à insulina | — | Condição em que as células respondem de forma reduzida à insulina, prejudicando a captação de glicose; associada à obesidade e ao diabetes tipo 2. |
| 32 | Resistência à leptina | — | Condição em que o hipotálamo perde sensibilidade ao sinal de saciedade da leptina, mesmo com níveis elevados do hormônio; mecanismo central da obesidade. |
| 33 | Resistina | — | Molécula secretada pelos adipócitos relacionada à regulação da sensibilidade à insulina. |
| 34 | Sarcopenia | — | Perda de massa muscular, discutida na aula em relação ao uso não acompanhado de medicações para emagrecimento (análogos de GLP-1). |
| 35 | Síndrome de hipoventilação | Síndrome de Pickwick | Alteração respiratória associada à obesidade grave, citada entre as complicações metabólicas do quadro obesogênico. |
| 36 | Xeroftalmia | — | Ressecamento da córnea/conjuntiva causado por deficiência de vitamina A, podendo evoluir para ceratomalácia. |